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Crise no setor de energias renováveis no Brasil se agrava com demissões

Crise nas renováveis se agrava com demissões em grandes geradoras, diante de cortes de geração em usinas eólicas e solares que ampliam incerteza financeira

A proposta tem como objetivo conquistar governos céticos
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  • Grandes geradoras de energia renovável anunciam ajustes operacionais e demissões no Brasil, diante da piora das condições no setor e dos cortes de geração em usinas eólicas e solares.
  • Atlas Renewable Energy, controlada pelo Global Infrastructure Partners (GIP) e pela BlackRock, registra perdas de receita em torno de vinte e cinco por cento devido aos cortes e está se reorganizando para sobreviver.
  • Newave Energia, associada à Gerdau, também realiza ajustes pontuais visando eficiência e sustentabilidade; a empresa abriu neste mês o segundo grande complexo solar em Goiás, com investimentos de cerca de R$ 1,3 bilhão.
  • Voltalia planeja reduzir sua força de trabalho em cerca de dez por cento em países onde atua, incluindo o Brasil, que hoje concentra quarenta e seis por cento da capacidade do grupo.
  • Falta de clareza sobre o ressarcimento de custos e restrições de geração continuam impactando o setor; a ABEEólica estima prejuízo próximo de quase oito bilhões de reais, com nem todo o valor a ser ressarcido, segundo o setor.

Grandes geradoras de energia renovável reduzem operações no Brasil ao enfrentarem cortes de geração em usinas eólicas e solares, pressionando a sustentabilidade financeira de negócios atuais e futuros investimentos. Atlas Renewable Energy, Newave Energia e Voltalia já anunciaram ajustes, sem divulgar números exatos de demissões, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

Aproxima-se o agravamento da crise no setor, que passou a exigir ajustes para lidar com perdas de receita decorrentes das interrupções na geração. Os cortes são impostos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para equilibrar a rede diante de overcommitment ou gargalos de transmissão.

Atlas Renewable Energy, controlada pelo Global Infrastructure Partners (GIP) e BlackRock, sinaliza perdas de receita próximas a 25% nas suas usinas. A empresa afirmou que está se reorganizando para sobreviver em um cenário instável, com impactos em todas as áreas do grupo no Brasil.

Newave Energia, parceria entre Gerdau e Newave Capital com participação da XP, confirmou ajustes operacionais com foco em eficiência e sustentabilidade. Recentemente, a companhia inaugurou um grande complexo solar em Goiás, financiado com cerca de R$ 1,3 bilhão, localizado no submercado Sudeste, historicamente menos sujeito a cortes.

Voltalia informou plano de reduzir cerca de 10% da sua força de trabalho em países onde atua, incluindo o Brasil, como parte de uma transformação global. A empresa ressalta que o Brasil continua estratégico, respondendo por 46% da capacidade de geração em operação e em construção do grupo.

As demissões ocorrem em um contexto de menor entrada de investimentos no setor. Acciona encerrou investimentos no Brasil em 2024, e fabricantes da cadeia eólica, como a GE, fecharam unidades pela queda de encomendas. A crise eleva a incerteza sobre novos contratos e projetos no país.

Para as empresas, a principal dificuldade é a falta de clareza sobre ressarcimento de perdas. Uma lei de 2023 prevê reembolso retroativo, ainda sem regulamentação. O governo aponta medidas estruturais, como ampliar a transmissão e considerar baterias e ajustes tarifários, em estudo ou implementação.

Segundo a ABEEólica, o prejuízo acumulado com as restrições chega a quase 8 bilhões de reais, embora nem todo o valor possa ser ressarcido. O setor argumenta que o risco passou de administrável a incerto, conduzindo decisões de ajuste de curto prazo.

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