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Desperdício global de alimentos pode chegar a US$ 540 bilhões em 2026

Desperdício global de alimentos deve atingir US$ 540 bilhões em 2026, com logística e visibilidade como principais entraves, impactando margens e custos

Se as tendências atuais se mantiverem, o custo acumulado do desperdício de alimentos entre 2025 e 2030 pode atingir US$3,4 trilhões
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  • O desperdício global de alimentos pode chegar a US$ 540 bilhões em 2026, alta de 2,7% ante 2025, segundo a Avery Dennison.
  • No Brasil, os custos com desperdício correspondem a 32% da receita anual da cadeia de varejo de alimentos, e 61% dos gestores dizem não ter visibilidade total sobre onde ocorre o desperdício.
  • As principais categorias com maior dificuldade de gestão são carnes (50%), seguido por frutas e verduras (45%) e panificação (28%), sendo a carne a mais onerosa, com previsão de US$ 94 bilhões em desperdício em 2026.
  • A meta da ONU de reduzir pela metade o desperdício global até 2030 pode ficar distante: estimativas apontam US$ 3,4 trilhões entre 2025 e 2030, e 27% dos líderes entrevistados duvidam que atingirão o objetivo no prazo.
  • Inovações de mercado, como o redesenho de embalagens pela Smurfit Westrock, aumentaram em 5% a fruta transportada por contêiner, gerando economia de frete e redução de CO₂, além de melhorar a durabilidade e a eficiência logística.

O desperdício global de alimentos pode chegar a US$ 540 bilhões em 2026, aponta estudo da Avery Dennison. O valor representa alta de 2,7% em relação a 2025, quando ficou em US$ 526 bilhões. O levantamento destaca a logística como ponto crítico na cadeia de suprimentos do varejo.

A pesquisa ouviu 3.500 varejistas e líderes da cadeia global. Mesmo com maior conscientização, 61% afirmam não ter visibilidade total sobre onde ocorre o desperdício em suas operações. A logística e a distribuição aparecem como principais gargalos, com 56% dos respondentes sem clareza sobre perdas durante o transporte.

No Brasil, os custos ligados ao desperdício chegam a 32% da receita anual da cadeia de varejo de alimentos. O estudo também indica que a gestão de estoques é majoritariamente manual, com 67% dos entrevistados recorrendo a contagens manuais, o que aumenta o risco de erros.

Desafios e visão de curto prazo

A falta de visibilidade acarreta impactos significativos nas margens. Mais da metade dos líderes afirma que gestão de estoque e excesso de inventário elevam as perdas. Entre as categorias, carnes aparecem como as mais difíceis, seguidas de frutas e verduras, com pratos de panificação também mencionados.

A carne é citada como a categoria com maior custo de desperdício, estimado em US$ 94 bilhões em 2026. Isso representa quase um quinto do total de perdas previstas no período, segundo o levantamento. Se as tendências atuais persistirem, perdas entre 2025 e 2030 podem chegar a US$ 3,4 trilhões, conforme o estudo.

Apesar de metas globais, 27% dos líderes projetam não alcançar a meta de reduzir o desperdício pela metade até 2030, conforme o objetivo da ONU. A pesquisa aponta que a cooperação entre elos da cadeia é essencial para promover inovações.

Brasil e impactos locais

Levantamento do Pacto Contra a Fome indica que o Brasil desperdiça cerca de 55,4 milhões de toneladas por ano, equivalente a 30% da produção nacional. Desses, 10,8 milhões de toneladas ocorrem após a colheita, durante armazenamento e transporte, fases em que embalagens influenciam a durabilidade.

Inovações em embalagens e logística

No segmento de frutas, legíveis e verduras, falhas logísticas e embalagens inadequadas respondem por parte relevante das perdas no pós-colheita. A Embrapa aponta que até 30% da produção nacional pode ser perdida por problemas de transporte e embalagem.

A Smurfit WestRock atua para reduzir desperdícios por meio de redesign de embalagens. Com caixas otimizadas, tornou possível carregar 21 paletes por contêiner, elevando a capacidade de carga e reduzindo frete. Ao longo de um ano, a iniciativa resultou em menor uso de contêineres, economia de frete e menor emissão de CO₂.

O executivo da empresa destaca que embalagens de papelão bem qualificadas fortalecem a cadeia agroalimentar, protegendo os produtos, reduzindo custos e aumentando a eficiência logística.

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