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Nova CEO da BP assume com foco em simplificar operações e recuperar valor

Meg O’Neill assume a BP como primeira CEO externa, enfrentando dívida, estrutura inchada e pressão por cortes, simplificação e foco em upstream

Meg O’Neill é a primeira mulher a ocupar o cargo de CEO da empresa e se beneficia de um aumento nos preços impulsionado pela guerra (Foto: Philip Gostelow/Bloomberg)
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  • Meg O’Neill assumiu a presidência da BP, tornando-se a primeira CEO externa da companhia, em meio a preços do petróleo elevados pela guerra no Oriente Médio.
  • A BP tem desempenho abaixo de pares, com valor de mercado inferior a um quinto do da Exxon Mobil, dívidas altas e portfólio com unidades de baixo retorno; a empresa também deixou de realizar recompras de ações em fevereiro.
  • Investidores pedem simplificação da gestão, cortes de custos e foco maior em ativos upstream fortes, como EUA e Brasil, além de vender ativos antigos, como campos no Mar do Norte.
  • O presidente do conselho, Albert Manifold, afirma que a BP precisa ser mais simples, enxuta e lucrativa, e que a transformação levará pelo menos dois anos para dar resultados.
  • A BP encara potencial de reversão com descobertas upstream, como a boomerang próximo do Brasil, e usa a experiência da reformulação em Woodside para antever possíveis mudanças estratégicas.

Meg O’Neill assume a BP com o desafio de simplificar a operação e recuperar valor diante de um desempenho abaixo de pares. A executiva, primeira mulher no cargo, assume numa época de volatilidade do petróleo e pressões para cortar custos, vender ativos e priorizar upstream.

A BP enfrenta dívidas elevadas, uma estrutura organizacional considerada extensa e um portfólio com unidades de baixo retorno. Nos últimos 12 meses, as ações ficaram atrás da Exxon Mobil entre os seus pares, e o valor de mercado ficou significativamente abaixo do de rivais.

A decisão de substituir o CEO interino e conduzir uma reformulação ocorreu após a saída de Murray Auchincloss, substituto de Bernard Looney. A transição foi acelerada por críticas de investidores sobre foco estratégico e resultados.

O desafio de O’Neill recebe apoio de alguns acionistas que defendem simplificar a empresa, reduzir cargos de liderança e concentrar-se em ativos upstream fortes, como EUA e Brasil, ao mesmo tempo em que se desfaz de ativos menos rentáveis, como campos no Mar do Norte.

Três investidores, incluindo dois entre os 20 maiores, sinalizaram desejo por mudanças rápidas na gestão e no portfólio. Eles defendem cortes de custos e realinhamento para maximizar a geração de caixa.

A BP divulgou resultados no início do ano, quando cortou o programa trimestral de recompra de ações em 750 milhões de dólares, decisão vista como parte de um esforço para fortalecer o balanço. O mercado reagiu com cautela.

Para o presidente do conselho, Albert Manifold, a BP precisa se tornar uma empresa mais simples, enxuta e lucrativa. A estimativa interna é de que a transformação leve pelo menos dois anos para mostrar frutos, segundo pessoas próximas aos assuntos.

A incerteza sobre a estratégia da BP persiste entre investidores. Alguns veem a necessidade de uma reformulação abrangente para melhorar reservas, custo e posicionamento competitivo frente a rivais maiores no setor de petróleo e gás.

O pipeline upstream é visto como promissor a médio e longo prazo, especialmente com novas descobertas offshore. A descoberta de Bumerangue, ao largo do Brasil, pode conter bilhões de barris de petróleo equivalente e sustentar o foco de upstream.

A experiência anterior da executiva na Woodside Energy Group, onde impulsionou o crescimento no gás natural liquefeito, é apontada como referência para possíveis mudanças na BP. Analistas aguardam decisões difíceis sobre ativos mais antigos.

A BP não comentou o assunto. Enquanto isso, o preço do petróleo tem se mantido elevado, influenciado por tensões regionais que impactam o fornecimento global e criam um ambiente de maior volatilidade para empresas do setor.

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