- Em março, a balança comercial teve superávit de US$ 6,405 bilhões, o menor para o mês desde 2020, com exportações de US$ 31,603 bilhões (+10%) e importações de US$ 25,199 bilhões (+20,1%).
- O superávit de março caiu 17,2% frente a março de 2025, quando ficou em US$ 7,736 bilhões.
- O valor das exportações é o segundo maior para março desde o início da série; as importações, o maior da série, iniciada em 1989.
- Café teve queda de 30,5% nas exportações em março, com uma queda de 31% na quantidade embarcada, devido a cronogramas de embarque.
- Acumulado do primeiro trimestre: superávit de US$ 14,175 bilhões, com exportações de US$ 82,338 bilhões (+7,1%) e importações de US$ 68,163 bilhões (+1,3%). Projeção para 2026 prevê superávit de US$ 72,1 bilhões.
A balança comercial registrou o menor superávit para março desde 2020, acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgados nesta terça-feira. As exportações ficaram em US$ 31,603 bilhões, e as importações chegaram a US$ 25,199 bilhões, resultando em um superávit de US$ 6,405 bilhões.
A queda do saldo frente a março de 2025 é de 17,2%, quando o superávit havia sido de US$ 7,736 bilhões. Em março de 2020, início da pandemia, o saldo ficou em US$ 4,046 bilhões. O valor das exportações foi o segundo maior para o mês desde o início da série, atrás de março de 2023, e as importações registraram o maior valor da série histórica, iniciada em 1989.
Exportações em março apresentaram alta de 10% frente a igual mês de 2024, com desempenho de US$ 437 milhões em produtos agrícolas. O Produto Interno Bruto de petróleo elevou as exportações industriais extrativas, que cresceram 36,4% no volume, acompanhadas por variação de 0,2% no preço.
Setores e produtos
Na indústria de transformação, as exportações subiram 5,4%, com ganhos de 4,2% no volume e 1% no preço médio. Destaque para carne bovina fresca, combustíveis e ouro não monetário no grupo de transformação. Entre os produtos, o desempenho veio principalmente de óleo bruto de petróleo e minerais de base na indústria extrativa.
Apesar da alta das exportações, as vendas de café recuaram 30,5% em março, totalizando US$ 437,1 milhões a menos que no mesmo mês de 2025. A queda decorre da redução de 31% do volume embarcado, associada a cronogramas de exportação.
Em relação aos derivados do petróleo, fortes variações mensais são comuns devido a manutenções programadas. Contudo, a expectativa é de queda futura por conta da alíquota temporária de 12% do Imposto de Exportação de petróleo anunciada em março para conter a alta dos combustíveis.
Importações e impactos
As importações cresceram, principalmente pela demanda externa de veículos, com aumento de US$ 755,7 milhões em março frente a março de 2025. Entre os itens, destacam-se automóveis de passageiros, que apresentaram alta expressiva, chegando a 204,2%.
No setor agropecuário, houve aumento em pescados, frutas e soja. Em mineração, minérios e óleos brutos de petróleo contribuíram para o incremento. Medicamentos veterinários e fertilizantes químicas também registraram alta relevante nas importações do grupo de transformação.
Nos três primeiros meses do ano, o saldo ficou em US$ 14,175 bilhões, 47,6% acima do registrado no mesmo período de 2025. A diferença se deve, em parte, à importação única de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, valor que não se repetiu neste ano.
Perspectivas e projeções
Para 2026, o Mdic revisou a projeção de superávit de US$ 72,1 bilhões, alta de 5,9% frente 2025. As exportações devem somar US$ 364,2 bilhões; as importações, US$ 280,2 bilhões, com avaliações trimestrais previstas. O recorde de superávit permanece em 2023, com US$ 98,9 bilhões. As projeções do Banco Central divergem, estimando US$ 70 bilhões para o ano, conforme o Focus.
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