- Estudo da Systemiq aponta que o Brasil pode reduzir em mais de US$ 200 bilhões por ano os custos econômicos, sociais e ambientais do sistema alimentar até 2050, caso haja transformação do modelo atual; hoje esses custos chegam a cerca de US$ 500 bilhões anuais.
- A transição para modelos mais sustentáveis depende menos de financiamento e mais da economia, competitividade e coordenação entre setor público e privado, segundo especialistas ouvidas pela EXAME.
- O financiamento climático ainda é insuficiente: entre 2021 e 2023 foram US$ 17,1 bilhões por ano; cerca de 70% desses recursos vêm de fontes privadas domésticas; o RenovAgro representa apenas 2% do crédito rural.
- O Brasil enfrenta desafios como alta emissão da agricultura e uso da terra (74% das emissões) e desperdício de alimentos (66 kg por pessoa ao ano, podendo chegar a 76 kg até 2050) sem mudanças estruturais.
- Políticas públicas, mercado de carbono e restauração de pastagens são considerados essenciais para viabilizar a transição, com cerca de 40 milhões de hectares com potencial de restauração.
A Systemiq revelou que o Brasil pode reduzir em mais de US$ 200 bilhões por ano os custos econômicos, sociais e ambientais do seu sistema alimentar até 2050, se houver uma transformação no modelo atual. A estimativa foi apresentada em estudo exclusivo para a EXAME. O informe aponta que o ritmo da mudança depende da adoção de tecnologias mais eficientes e de mudanças de políticas públicas.
Segundo a análise, os custos invisíveis já somam cerca de US$ 500 bilhões anuais no país, ligados à insegurança alimentar, impactos ambientais e ineficiências da cadeia. O Brasil é destacado como grande produtor de alimentos, com até 20% da biodiversidade global, mas enfrenta contradições entre produção e sustentabilidade.
Especialistas ressaltam que não é falta de recursos, e sim de custo e competitividade. Marta Bandeira, do BNDES, afirma que o desafio é econômico e competitivo, não apenas financeiro. Patricia Ellen, da Systemiq LATAM, enfatiza a necessidade de redirecionar fluxos financeiros e alinhar políticas públicas.
O custo da transição
A transição para modelos mais sustentáveis ainda esbarra na viabilidade econômica. Técnicas para agricultura regenerativa são consideradas mais caras que as atuais, e o setor privado ainda não sustenta plenamente a mudança. O financiamento climático permanece com alcance limitado.
Entre 2021 e 2023, os aportes ao setor somaram US$ 17,1 bilhões por ano, volume considerado insuficiente frente à escala necessária. A Systemiq aponta que cerca de 70% dos recursos provêm de fontes privadas domésticas, reforçando a necessidade de coordenação pública.
O papel do setor público também é destacado. Políticas como linhas de financiamento mais acessíveis e programas de recuperação de pastagens são citadas como decisões estruturantes. Agricultura regenerativa pode ganhar viabilidade com instrumentos de mercado de carbono.
O papel das políticas públicas
A agenda pública precisa alinhar incentivos, mercado e políticas para reduzir custos e acelerar a transição. O mercado de carbono ganha relevância, com sinalização de que a precificação pode viabilizar práticas regenerativas hoje mais onerosas.
Instrumentos como o Fundo Clima e projetos do Plano Safra atuam no financiamento, mas não são exclusivos do agro. Especialistas discordam de soluções isoladas; a coordenação entre governo, bancos e setor privado é apontada como essencial para acelerar o processo.
A análise aponta que hoje existem cerca de 40 milhões de hectares com potencial de restauração e uso de tecnologias como bioinsumos, biochar e pó de rocha. A consequência seria uma redução de custos e maior resiliência do sistema alimentar.
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