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Endividamento das famílias atinge 80,4% em março, recorde

Endividamento das famílias atinge 80,4% em março, recorde desde 2015, alerta para próximos meses com pressões de inflação e custos

A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Turismo e Serviços) divulga mensalmente os dados de endividamento das famílias
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  • Em março, o endividamento das famílias chegou a 80,4% da população, o maior patamar da série histórica iniciada em 2015, alta de 0,2 ponto percentual versus fevereiro.
  • O levantamento é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio.
  • A CNC classifica o recorde como um alerta, citando impactos do conflito no Oriente Médio e da alta do petróleo no orçamento familiar.
  • A inadimplência ficou estável em 29,6% em março, com aumento de 1,0 ponto percentual em relação a março do ano anterior.
  • Entre as famílias de até três salários mínimos, a inadimplência caiu de 38,9% para 38,2% em março, mas o grupo continua mais vulnerável aos custos de energia e combustíveis.

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,4% em março, alta de 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro. A marca é a maior já registrada desde o início da série histórica em 2015, segundo a Peic, da CNC. O levantamento aponta o percentual de famílias com dívidas que vencem em cartão de crédito, cheque especial, carnê, crédito consignado, empréstimo, entre outras prestações.

O estudo da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Turismo e Serviços) ressalta que o recorde serve como alerta para os próximos meses, diante de impactos do conflito no Oriente Médio e da alta de preços dos combustíveis. A inflação associada dificulta o equilíbrio financeiro das famílias, especialmente para quem depende de crédito para despesas básicas.

Desdobramentos e cenário macroeconômico

A CNC indica que o endividamento deverá continuar pressionado até que os efeitos da flexibilização da política monetária cheguem ao bolso do consumidor. O Ministério da Fazenda discute o pacote Desenrola Brasil, com possível renegociação de dívidas e redução de taxas, para ampliar os benefícios à população.

Segundo a instituição, o programa Desenrola Brasil, se retomado, pode oferecer descontos sobre o estoque de dívidas e taxas mais baixas. Em março, a inadimplência ficou estável em 29,6%, mantendo nível próximo ao observado no igual mês de 2025. A alta anual soma 1,0 ponto percentual.

Endividamento e renda

A pesquisa aponta variação por faixa de renda: famílias de até 3 salários mínimos apresentaram redução na inadimplência, de 38,9% em fevereiro para 38,2% em março, ainda com vulnerabilidade frente a custos de energia e combustíveis. Economista-chefe Fabio Bentes destaca que reajustes esperados de inflação podem pressionar o orçamento dessas famílias nos próximos meses.

Ao observar o panorama, o Banco Central aponta o endividamento próximo à máxima histórica com base na RNDBF, indicador que mede a renda disponível das famílias. O efeito conjunto de juros elevados e custo logístico influencia a capacidade de pagamento e eleva a necessidade de crédito para itens básicos.

Fontes do governo consideram necessário atuarem com medidas que atenuem o peso da dívida, enquanto a CNC frisa que o aperto monetário ainda não se traduz no alívio para o consumidor final. A expectativa é de que as ações possam reduzir o custo de rolagem de dívidas e estimular renegociações futuras.

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