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Risco dos fertilizantes afeta a soberania agropecuária do Brasil

Brasil depende de fertilizantes importados; PNFs até 2050 ganham impulso com a Petrobras retomando nitrogenados, investimento de R$ 76 milhões (US$ 13 milhões)

Não há segredo em sintetizar amônia ou elaborar ureia, basta ter boas fontes de energia fóssil, diz o articulista
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  • O Brasil, maior produtor agrícola do mundo, depende fortemente de fertilizantes importados, principalmente nitrogenados, fosfatados e potássios.
  • A guerra no Irã acendeu o alerta sobre essa dependência, já que a produção de nitrogenados utiliza gás natural e é sensível a choques de oferta e preço.
  • Historicamente houve queda da autossuficiência: em 2020 os nitrogenados básicos supriram apenas 4,3% do consumo interno, mantendo grande parte da demanda externa.
  • Foram criados planos nacionais desde 1974, com o Plano Nacional de Fertilizantes 2050 lançado em 2021 e remodelado em 2023, com meta de reduzir a dependência externa para 50% até 2050.
  • Em 2025/2026, a Petrobras retomou a produção de fertilizantes nitrogenados em Sergipe e Bahia, com investimento de 76 milhões de reais, e há potencial de exploração de potássio na Amazônia, como Autazes, ainda enfrentando entraves ambientais.

O risco dos fertilizantes para a soberania agropecuária do Brasil voltou a ganhar espaço na agenda pública. A dependência de fornecedores externos, em especial diante de conflitos internacionais, reacende a preocupação com a capacidade do país de manter a produção agrícola sem depender de importações.

Historicamente, o Brasil adotou planos para ampliar a produção interna. O 1º Programa Nacional de Fertilizantes e Calcário Agrícola surgiu em 1974, com objetivo de apoiar a ocupação do Cerrado e reforçar a nutrição mineral das lavouras. Em 1987, o 2º Plano Nacional de Fertilizantes trouxe capital privado para fabricar adubos fosfatados.

Na virada do século, o país passou a produzir parte significativa dos fertilizantes nitrogenados de que precisava. Entre 2000 e 2010, porém, esse índice caiu de 38,7% para 20,7%, chegando a 4,3% em 2020. O restante era importado, aumentando a vulnerabilidade frente a pressões externas.

Dependência por tipo de fertilizante

Os nitrogenados foram os mais atingidos pela guerra no Irã, que encurtou o fornecimento de gás natural, matéria-prima essencial. Hoje, Brasil depende quase totalmente de importações para esse grupo, com custo interno elevado frente a concorrentes internacionais.

No caso dos fosfatados, a dependência externa fica em torno de 70%. A produção interna é favorecida pela disponibilidade de rocha fosfática, mas o fabrico demanda enxofre, importado, o que expõe a cadeia a novas restrições logísticas.

Para os fertilizantes potássicos, o desafio é maior. A produção mundial está concentrada em poucos players, com Canadá, Bielorrússia e Rússia dominando. O Brasil depende de importação em cerca de 96%, devido à escassez de reservas nacionais e à dificuldade de exploração ambientalmente controlada.

Avanços e perspectivas

Hoje, apenas uma mina de potássio funciona com capital privado no Sergipe, e reservas na Amazônia, como Autazes, são reconhecidas como promissoras. A exploração esbarra em preocupações ambientais e indígenas, mas já há avanços administrativos para destravar o tema.

O Plano Nacional de Fertilizantes 2050, lançado formalmente no governo de Bolsonaro, visava reduzir a dependência externa a 50% em média até 2050. Com a posse de novos governos, a gestão do plano passou por ajustes, e, em 2023, foi criado o novo PNFs, com objetivo semelhante.

Na prática, os primeiros sinais de recuperação interna surgiram no final de 2025: a Petrobras retomou a produção de fertilizantes nitrogenados em Sergipe e na Bahia, com investimento de cerca de 76 milhões de reais. O restante da estratégia depende de continuidade política e investimentos adicionais.

O que está em jogo

A aposta é que o Brasil avance na produção doméstica de fertilizantes, fortalecendo a soberania agropecuária diante de cenários externos voláteis. O desafio envolve custos, licenciamento ambiental, infraestrutura e coordenação entre governo e setor privado, alinhados a metas de longo prazo.

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