- A seis meses das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tramita medidas com potencial impacto no bolso do consumidor, em meio à desaprovação crescente ao Executivo.
- Entre as propostas está um novo programa de renegociação de dívidas, com modelo simplificado, que pode oferecer descontos de até oitenta por cento e mira endividamento das famílias; cerca de trinta por cento da renda é comprometida com débitos.
- Economistas dizem que a medida pode aliviar o curto prazo, mas não resolve causas estruturais como juros altos, baixo poder de compra e falta de educação financeira.
- No setor de combustíveis, o governo zerou impostos federais sobre o querosene de aviação para conter a alta de passagens e planeja compensar a perda com aumento de tributos sobre cigarros; para o diesel, há uma medida provisória de subsídio de 1,20 real por litro, válida por sessenta dias, com custo estimado em cerca de três bilhões, dividido entre União e estados.
- A oposição reagiu, criticando o pacote como medida pontual para ganho eleitoral, enquanto aponta inconsistências em governança e impactos reais sobre a inflação e a renda da população.
A seis meses das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha em um conjunto de medidas com potencial efeito sobre o bolso do consumidor, diante da queda de popularidade do Executivo. As propostas incluem renegociação de dívidas e subsídios para combustíveis, vistos por adversários como pacote eleitoral.
Entre as iniciativas em estudo, está um novo programa de renegociação de dívidas, com modelo mais simples que o Desenrola Brasil. A ideia é oferecer descontos de até 80% para quem participa. Dados do BC indicam que quase 30% da renda familiar está comprometida com débitos.
Segundo o economista Higor Rabelo, a medida pode aliviar o curto prazo, mas não resolve causas estruturais. Ele afirma que as instituições preferem recuperar parte do crédito do que nada receber. O histórico de endividamento tende a encarecer o crédito.
Impacto nos combustíveis
No setor, o governo avalia medidas para o querosene de aviação, com redução de tributos para conter a alta do petróleo nas passagens. A equipe econômica busca zerar impostos federais sobre o combustível e compensar a perda com tributos sobre cigarros.
Para o diesel, avalia-se uma medida provisória com subsídio de cerca de R$ 1,20 por litro importado. A previsão é de 60 dias de validade, com custo estimado de R$ 3 bilhões, rateado entre União e estados.
O cientista político Magno Karl comenta que sinalizações redistributivas são antigas na política, mas nem sempre resolvem problemas. Ele cita a “escala 6×1” como apelo emocional, sobretudo junto ao eleitorado do PT, mas que não resolve o desemprego informal nem a credibilidade econômica.
Críticas ao governo
Nas redes, oposição cobra medidas que deem funcionamento estável ao país. A deputada Rosângela Moro disse que o povo quer segurança, economia estável e que o governo pare de buscar aprovação com ações pontuais.
O deputado Nikolas Ferreira associou o momento político ao desgaste do PT e pediu foco no eleitorado jovem. Já o deputado Gustavo Gayer informou ter acionado o TCU para apurar irregularidades em estatais federais e pediu clareza sobre governança.
O senador Jorge Seif criticou gastos com viagens, afirmando que em 18 dias o governo desembolsou mais de R$ 107 milhões, em contraste com a realidade de endividamento da população.
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