- Em 2021, o varejo alimentar brasileiro caiu 2,4% em termos reais (descontada a inflação), com inflação alta e renda caindo 5,8%.
- Regiões mostraram variações: Nordeste (-8,3%), Norte (-7,5%) e Sudeste (-7,3%), refletindo maior queda nas unidades e na renda.
- O formato atacarejo foi o mais resiliente, com crescimento de cerca de 10%; o ticket médio subiu 8,4% e a frequência de compras caiu 3,2%.
- A inflação pressionou a cesta de compras, elevando preços de itens como perecíveis e itens de mercearia, levando consumidores a substituir por opções mais baratas.
- Em 2022 e adiante, a tendência é de sensibilidade a preços, expansão do atacarejo e formatos com experiência, maior demanda por produtos saudáveis, foco em execução e maior uso de digital e analytics para gestão omnicanal.
O varejo alimentar brasileiro registrou retração em 2021, em meio à queda real de renda dos consumidores e à inflação elevada. O estudo conjunto da McKinsey e Scanntech aponta queda de 2,4% nas vendas reais, puxada pela menor massa de renda no país.
A pesquisa analisa variações por região, formato de loja e comportamento do consumidor, apontando oportunidades de atuação para 2022 e anos seguintes. O levantamento utiliza dados de todo o Brasil e destaca impactos setoriais relevantes para diferentes players.
O Nordeste foi a região com queda mais acentuada, em 8,3% nas unidades vendidas, seguida pelo Norte (-7,5%) e Sudeste (-7,3%). A desaceleração não foi uniforme, refletindo diferente ritmo de renda e inflação regional.
Entre os formatos, o atacarejo foi o único a registrar crescimento, em torno de 10%, mantendo-se como sólido vetor de expansão diante do cenário. O ticket médio subiu 8,4%, mas a frequência de compras caiu 3,2%.
A cesta de consumo foi pressionada pela alta de custos dos insumos e pela cadeia de suprimentos, com categorias de perecíveis e mercearia menos resilientes. Houve busca por opções mais baratas, especialmente arroz, produtos de limpeza e itens de lavanderia.
O crescimento do comércio online no varejo alimentar ganhou destaque mesmo com a retomada das lojas físicas, abrindo espaço para novos entrantes não tradicionais. A transição para o digital se manteve relevante para o setor.
Panorama para 2022 e tendências
O contexto econômico desfavorável deve continuar, mantendo margens pressionadas e alta competição. A digitalização e a rentabilização do omnicanal aparecem como prioridades para varejistas.
1) Preços e inflação indicam sensibilidade
Com inflação acima da meta e incertezas, 70% dos consumidores buscam economia e 40% sinalizam substituições por alternativas mais baratas. Varejistas devem ampliar o sortimento de marcas próprias.
2) Expansão do atacarejo e formatos de experiência
O atacarejo deve manter tração, com expansão de players nacionais e regionais. Formats de entrega rápida, programada e proximidade ganham espaço para atender novas ocasiões de compra.
3) Saudabilidade como diferencial
Produtos saudáveis e orgânicos ganham relevância, com maioria de consumidores dispostos a pagar mais. Projeções apontam crescimento da categoria e expansão de opções saudáveis no mix.
4) Estratégia de valor e execução
Varejistas precisam de proposição de valor diferenciada. Especialização em perecíveis e saudáveis ou ecossistemas de produtos e serviços podem fortalecer fidelização.
5) Digital e analytics como ativos
Uso de dados e análise avançada é essencial para entender o consumidor, melhorar a experiência e a eficiência operacional, exigindo mudança cultural nas empresas.
6) Omnicanal com rentabilidade
Apesar da continuidade do online, a rentabilidade fica desafiadora diante de preços baixos e custos logísticos. Créditos à integração de ativos físicos e digitais para ganhos sustentáveis.
O estudo reforça que várias tendências vieram para ficar e que o momento exige posicionamento estratégico para reduzir vulnerabilidade a choques externos.
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