- Pesquisas qualitativas da Quaest indicam que endividamento, frustração com o consumo e apostas online ajudam a explicar por que avanços econômicos não se traduzem em satisfação nem em voto.
- O Brasil vive um paradoxo: PIB em alta e inflação sob controle não geram sensação de melhora de vida para a população.
- O conceito de “affordability” (capacidade real de arcar com o custo de vida) ajuda a entender essa desconexão entre renda e orçamento.
- Três fatores surgem das entrevistas: endividamento, consumo ainda não acessível e gastos com apostas online que reduzem a renda familiar sem percepção imediata.
- Independentes, cerca de 30% do eleitorado, são o foco das pesquisas da Quaest e podem definir o resultado de 2026, já que a percepção do custo de vida pesa mais que dados macro.
O que aconteceu
Pesquisas qualitativas da Quaest difundidas em um episódio do podcast O Assunto apontam que endividamento, frustração com o consumo e gastos com apostas online ajudam a explicar por que avanços econômicos não se traduzem em satisfação nem em votos. O estudo usa o conceito de affordability para explicar a sensação de que a renda aumenta, mas o custo de vida cresce ainda mais.
Quem está envolvido, quando e onde
A análise é conduzida pelo cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, com base em entrevistas realizadas no Brasil. O episódio foi ao ar em uma quinta-feira, 9 de abril, no podcast O Assunto. As conclusões não se restringem a dados oficiais, mas simulam conversas do cotidiano para captar percepções de eleitores.
Por que isso importa
Segundo Nunes, o cenário hígido da economia interna não se reflete na vida prática das famílias. A variável affordability explica por que cidadãos percebem que a renda não basta para manter o padrão de vida esperado. O episódio investiga como isso pode influenciar o comportamento político em 2026.
Fatores que explicam a desconexão entre números e percepção
Endividamento
Relatos de famílias apontam pressão de cheque especial, cartão de crédito e empréstimos consignados. A soma dessas dívidas compromete boa parte do orçamento mensal, conforme o pesquisador.
Consumo frustrado
Mesmo com melhoria de renda, muitos brasileiros não atingem bens e experiências que simbolizam bem-estar. A percepção é de que a promessa de consumo não se realiza para parte da população, refletindo na sensação de vida mais cara do que a renda permite.
Apostas online
Relatos indicam gasto significativo com jogos, que corrói a renda familiar sem que haja percepção clara do impacto. O estudo destaca o hábito de apostas como fonte de retirada silenciosa de recursos.
Impacto no eleitorado
A soma dos três fatores ajuda a explicar por que a conta não fecha no fim do mês, mesmo com indicadores positivos. O efeito é claro entre eleitores independentes, estimados em cerca de 30% do total, grupo foco das pesquisas da Quaest para 2026.
Para esse eleitorado, a percepção do custo de vida pesa mais do que números oficiais. Se o orçamento não fecha, os avanços macroeconômicos não convertem em apoio político, conclui Nunes.
A seguir, referências da Quaest sobre o tema e o podcast O Assunto, com produção e apresentação nacionais. As informações destacam a relação entre economia e voto, sem apontar soluções ou avaliações políticas.
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