- Goldman Sachs estima que cerca de sete por cento dos trabalhadores dos EUA podem ter empregos substituídos pela IA, o que representa aproximadamente onze milhões de pessoas.
- No curto prazo, deslocados pela tecnologia podem levar um mês a mais para encontrar novo emprego, com quedas maiores nos rendimentos reais.
- A longo prazo, dez anos após a perda, os rendimentos reais desses trabalhadores ficariam em torno de dez pontos percentuais abaixo dos não deslocados, com atraso na compra de imóveis e formação de família.
- Os impactos variam: são menos severos para jovens com formação superior que moram em áreas urbanas; quem fez requalificação profissional tende a ter melhor desempenho.
- Recessões agravam os efeitos, aumentando o desemprego subsequente; programas de requalificação são citados como solução para mitigar os impactos.
O Goldman Sachs divulgou um relatório que alerta para efeitos duradouros da substituição de empregos pela inteligência artificial nos EUA. A avaliação aponta perdas que podem persistir por anos, com impactos variados conforme o perfil do trabalhador.
A nota foi publicada na segunda-feira e reforça que cerca de 6% a 7% da força de trabalho norte-americana, ou cerca de 11 milhões de pessoas, poderiam ter seus empregos substituídos pela IA. Economistas do banco destacam riscos de longo prazo.
A análise utiliza dados do projeto de pesquisas Longitudinais Nacionais para acompanhar resultados de profissionais substituídos por inovações tecnológicas desde 1980. O objetivo é entender os desdobramentos no mercado de trabalho.
Impactos de curto prazo
Deslocados pela tecnologia, trabalhadores demoram mais para encontrar emprego, em média um mês adicional. Além disso, seus rendimentos ajustados pela inflação caem mais de 3% em relação aos demais.
Impactos de longo prazo
Dez anos após a perda, os rendimentos reais desses profissionais ficam cerca de 10 pontos percentuais abaixo dos não afetados. A trajetória de poupança e riqueza também é mais lenta, com atraso na aquisição de moradia e no início de uma família.
Impactos variáveis
Os efeitos na renda são menos severos para jovens, com formação superior e em áreas urbanas. Quem tem menos tempo de serviço ou aproveitou requalificação tende a apresentar resultados melhores.
Recessões agravam
Quando a substituição acontece durante uma recessão, os efeitos se intensificam: há mais tempo desempregado e maior probabilidade de desemprego subsequente, segundo os economistas. Eles destacam a importância da requalificação.
“Padrões indicam custos duradouros para trabalhadores afetados, com maior impacto em períodos de crise econômica.” Fizeram a ressalva os especialistas Pierfrancesco Mei e Jessica Rindels.
Os pesquisadores ressaltam ainda que impactos positivos podem nascer com estratégias de requalificação. Trabalhadores requalificados tendem a avançar para funções com maior conteúdo abstrato, reduzindo a exposição futura à automação.
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