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Fórum de Energia 2026 aponta matriz diversificada como resiliência do setor

Fórum aponta que matriz energética diversa aumenta a resiliência diante da geopolítica, com ênfase em armazenamento, uso de recursos domésticos e eletrificação

Para especialistas, os impactos recentes da guerra no Oriente Médio, principalmente sentidos em países asiáticos, reforçam a importância da independência energética
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  • No primeiro dia do Fórum de Energia 2026, painel sobre impactos econômicos da geopolítica reuniu executivos, como Eduardo Sattamini (Engie Brasil), Ivan Monteiro (Axia Energia), Roberto Padovani (Banco BV) e Luiz Augusto Barroso (PSR).
  • Os participantes destacaram que conflitos globais e o cenário doméstico devem influenciar o setor nos próximos anos e reforçam a importância da independência energética.
  • Barroso explicou que usar recursos domésticos pode se tornar ativo geopolítico, impulsionando a eletrificação e conferindo maior estabilidade energética ao Brasil.
  • Sattamini ressaltou um excedente de oferta ainda mal distribuído, defendendo maior aproveitamento da eletricidade, investimentos em armazenamento (baterias químicas e hidrelétricas reversíveis) e o papel das térmicas flexíveis.
  • Na ótica econômica, juros elevados impactam crescimento e investimentos; a demanda deve crescer com redução de juros, desde que a expansão acompanhe a capacidade energética de forma confiável.

O Fórum Brasileiro de Líderes em Energia 2026 abriu com uma discussão sobre impactos econômicos da geopolítica global no setor. O painel reuniu executivos e especialistas para avaliar cenários futuros e estratégias. O evento ocorreu no contexto do primeiro dia do Fórum, com foco em resiliência e diversificação da matriz energética.

Entre os participantes estavam o CEO da Engie Brasil, Eduardo Sattamini; o CEO da Axia Energia, Ivan Monteiro; o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani; e Luiz Augusto Barroso, da PSR. A conversa abordou como conflitos no exterior e o cenário doméstico podem influenciar o abastecimento e os custos.

Os debatedores destacaram a importância da independência energética diante de tensões geopolíticas. Um dos pontos centrais foi o papel de recursos nacionais como vento, água e solo como ativos estratégicos para maior estabilidade. Eles apontaram tendência de reorganização global da energia.

Oferta e demanda

Sattamini apontou que há excedente de oferta de energia, ainda que distribuído de modo desigual no tempo e no território. A melhoria no aproveitamento dessa disponibilidade depende de instrumentos adequados e da expansão do uso da eletricidade, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.

Foi ressaltada a relevância do armazenamento, com baterias químicas e soluções mecânicas, como hidrelétricas reversíveis, para ampliar a resiliente da matriz. As térmicas flexíveis também aparecem como suporte em momentos críticos.

No âmbito da demanda, Barroso destacou a forte dependência do transporte rodoviário movido a diesel. A eletrificação ou gaseificação dessa frota pode reduzir a exposição a preços internacionais e aumentar a eficiência energética.

Economia da Energia

Com juros elevados, a economia sente impactos no crescimento, no investimento e na expansão da capacidade energética. Monteiro sugeriu que, com a redução de juros, a demanda pode acelerar, desde que a expansão acompanhe o crescimento econômico.

Duas preocupações aparecem: evitar falhas no sistema e estruturar o crescimento do PIB com energia confiável. A renda disponível de famílias e empresas fica sujeita a esse ambiente de custo de capital elevado, conforme avaliação do painel.

Segundo Padovani, a economia brasileira tem mostrado resiliência diante de choques recentes, incluindo conflitos internacionais. Entretanto, o cenário interno de financiamento permanece estressado pela política monetária restritiva para conter desequilíbrios fiscais.

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