- A safra de trigo de 2026/27 deve ter redução da área plantada no Brasil, aumentando a dependência de importações e custos de produção.
- Espera-se que o país importe até cerca de oito milhões de toneladas no próximo ano, com o Paraná estimando importação de aproximadamente 1,3 milhão de toneladas e a Argentina como principal fornecedora.
- Os custos de produção estão mais altos por conta de petróleo, fretes, fertilizantes e embalagens, o que deve provocar reajustes graduais nos preços ao consumidor, iniciando em torno de 10% e podendo chegar a 20%.
- Estoques já estão baixos em estados como Rio Grande do Sul e Paraná, com preços próximos de R$ 1.350 a R$ 1.400 por tonelada em diferentes regiões.
- Com menor oferta interna e demanda crescente, o Brasil pode tornar-se o maior importador mundial de trigo na próxima safra, pressionando preços de pão, macarrão e outros produtos.
O Brasil tende a plantar menos trigo na safra 2026/27 e pode aumentar as importações, o que deve impactar o preço ao consumidor. O cenário é puxado por custos de produção mais altos, menor área cultivada e pressão logística, segundo o Sinditrigo-PR.
Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR e do Moinho Globo, aponta mudanças geopolíticas desde o início do ano, que elevam custos da cadeia, incluindo fretes e embalagens, com alta acima de 25% em alguns itens. A queda na produção interna aumenta a dependência externa.
O encarecimento do petróleo e tensões geopolíticas elevam os custos logísticos e de insumos, pressionando o setor. Fertilizantes em alta também contribuem para o cenário de custo elevado, afirma Venturelli, em entrevista aos veículos do setor.
As cotações do trigo registraram variações expressivas nos últimos meses, diz a executiva. Ela afirma que o preço de compra do trigo importado cresceu cerca de US$ 50 por tonelada desde o início do conflito, elevando o valor no mercado interno em mais de R$ 200 por tonelada.
A indústria já repassa parte do aumento aos consumidores, com reajustes iniciais de aproximadamente 10% que devem se estender ao longo do ano, segundo Venturelli. A expectativa é de que o ajuste chegue a no mínimo 20%.
Redução da área plantada
Mesmo diante de preços maiores, a tendência é de retração na área plantada em todo o país, aponta Luiz Pacheco, analista da TF Consultoria Agroeconômica. Insumos mais caros, frete elevado e dificuldades na ureia pesam sobre a decisão dos produtores.
No Paraná, principal produtor, a área pode chegar ao menor nível em mais de 25 anos, aponta o Deral. Fatores como remuneração baixa do ciclo 2025/26 desestimulam o plantio, conforme Pacheco, com o rendimento ameaçado pela possível continuidade da alta de custos.
A queda na área pode afetar a qualidade da produção, segundo Venturelli. A redução de fertilizantes, como estratégia de contenção de custos, também pode impactar o rendimento do trigo.
Estoques e demanda
Entidades de setor indicam demanda crescente por farinha de trigo no país. Paralelamente, estoques da safra atual já se esgotaram em estados como Rio Grande do Sul e Paraná, especialmente para trigo de maior qualidade.
Com oferta reduzida, os preços já sobem. Pacheco cita valores de até R$ 1.350 por tonelada no Rio Grande do Sul e R$ 1.400 no Paraná. Para a próxima safra, a faixa prevista é de R$ 1.350 a R$ 1.500 por tonelada.
O analista aponta que a expectativa para a próxima safra é de remuneração favorável ao cultivo, justamente pelo recuo de área plantada. O cenário internacional, com menor produção nos EUA e tensão geopolítica, sustenta a valorização do trigo.
Dependência de importações
A produção interna não atende à demanda e o Brasil deve ampliar as importações. O Sinditrigo-PR estima que o Paraná importe cerca de 1,3 milhão de toneladas em 2026, com a Argentina como principal fornecedora.
Pacheco projeta totais próximos a 8 milhões de toneladas no próximo ano, o que pode colocar o Brasil como maior importador mundial, superando o Egito. A dependência é associada a custos logísticos elevados e demanda global crescente.
Venturelli ressalta que o intervalo entre as safras brasileira e argentina aumenta a necessidade de compras externas ao longo do ano, elevando a pressão sobre o abastecimento.
Impacto na indústria e no bolso do consumidor
Os impactos aparecem principalmente no produtor rural e no consumidor final, segundo Pacheco. A indústria, atuando como intermediária, ajusta preços conforme custos de aquisição e operação.
Moinhos com menor capital de giro enfrentam maior dificuldade, enquanto empresas mais estruturadas absorvem melhor as oscilações. A conta da alta de custos tende a recair sobre o consumidor, conclui o analista.
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