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Apagão pode aumentar conta de luz mesmo com saída da Enel em SP

Custos de redes subterrâneas podem ficar com usuários beneficiados, mesmo com possível fim da concessão da Enel em São Paulo

Funcionários da Enel atendem ocorrência de falta de energia na zona leste de São Paulo
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  • Aneel abriu processo de caducidade da concessão da Enel em São Paulo, com prazo de trinta dias para defesa.
  • O rompimento do contrato ficaria a cargo do Ministério de Minas e Energia, alinhando-se a um atual debate sobre custos de adaptação ao uso de energia.
  • Uma das propostas em discussão prevê que os custos de redes subterrâneas sejam arcados apenas pelos moradores diretamente beneficiados, em vez de serem rateados entre todos os consumidores.
  • Especialistas destacam que enterramento não resolve todos os problemas de interrupção e pode elevar a conta de luz, além de apresentar desafios logísticos.
  • Em São Paulo, prefeitura e Enel disputam a poda de árvores, com números divergentes sobre intervenções em 2025 e tensão sobre responsabilidades.

O apagão pode gerar custo extra na conta de luz mesmo com a saída da Enel de São Paulo. A Aneel abriu um processo para eventualmente recomendar ao governo o fim do contrato com a empresa na região metropolitana, após as séries de quedas de energia provocadas por tempestades. O Ministério de Minas e Energia seria o responsável pela decisão de caducar o contrato.

Em reunião da diretoria da Aneel, na última terça-feira, ficou definida a abertura do processo de caducidade, com prazo de 30 dias para defesa. A decisão cabe ao governo federal, por meio do Ministério competente. A entrega de uma nova concessionária não garante, por si só, a solução para o fornecimento durante vendavais.

Panorama regulatório e impactos

Especialistas apontam que o foco deve estar nas regras contratuais e de operação para enfrentar eventos climáticos extremos. A Aneel tem ajustado normas para distribuir custos de adaptação entre concessionárias e consumidores, com possível repasse de parte desses gastos na tarifa.

Um caminho discutido é a cobrança diferenciada de redes subterrâneas: quem se beneficia com o cabeamento no subsolo arcaria com parte do custo. A proposta enfrenta resistência entre especialistas por não ser solução simples nem definitiva para interrupções elétricas.

Debates sobre custo e implementação

Especialistas e gestores destacam que enterramento de cabos envolve custos elevados e não elimina completamente problemas. Estudos citados apontam que mudanças profundas podem elevar a fatura, além de dificultar identificações de falhas e acelerar reparos.

Alternativas menos onerosas para resiliência continuam em pauta, como cabos isolados e redes compactas, já previstas na regulamentação da Aneel de outubro de 2025 para enfrentar impactos climáticos. A regulação não determina, porém, um único responsável pela responsabilidade de poda.

Situação em São Paulo

Na capital, um acordo de cooperação de 2020 e uma lei de 2022 atribuem à prefeitura a responsabilidade pela arborização urbana, com a Enel cuidando da poda quando galhos se aproximam dos cabos. As regras estão alinhadas com a regulamentação da Aneel, mas ainda não definem claramente quem arca com custos adicionais.

A disputa entre prefeitura e concessionária sobre a execução de podas ganhou destaque. Em 2025, a Enel informou ter concluído 248 mil das 282 mil podas pendentes; a prefeitura contesta os números, apontando falhas de documentação e intervenções incompletas.

Olhar para o futuro regulatório

Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que novos contratos podem transferir a encargos de manutenção da rede para as empresas, com custos repassados aos consumidores como parte da adaptação climática. A Aneel sinalizou que a evolução regulatória é necessária para alinhar serviço, tecnologia e clima.

A Enel reiterou interesse na renovação da concessão em São Paulo, conforme as regras previstas para os novos contratos, destacando que o momento exige soluções estruturais para o serviço. A Aneel enfatizou que ajustes regulatórios são parte do processo de modernização do setor.

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