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Reforma das AOC francesas, defende Andrew Jefford

À beira de seu momento di Lampedusa, as APs francesas enfrentam necessidade de reforma para devolvê-las aos produtores locais e renovar o sistema

french vineyards, rainbow
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  • As apelações francesas de origem protegida (APs) completam noventa anos no próximo mês, com o marco inicial em quinze de maio de mil novecentos e trinta e seis; grande parte das de Bordéus e Borgonha surgiu em mil novecentos e trinta e oito.
  • Hoje, o setor enfrenta crise de mercados, vendas fracas e turbulência política, situação que remete ao passado de desafios do século passado e à idade atual de indicações geográficas (IGs).
  • O autor compara a situação das APs a um “momento di Lampedusa”, destacando que mudanças são necessárias para evitar a estagnação e criticando rigidez regulatória, burocracia e altos custos.
  • Proposta apresentada: transferir a gestão das APs para produtores locais, revisar ou redefinir completamente os cahiers descharges e revogar dispositivos da Lei Evin de 1991 para abrir espaço a debates sobre as tradições vinícolas francesas.
  • Como exemplo de inovação, o texto cita o Domaine de la Dourbie, no Languedoc, elogiando cuvées criativas e a sofisticação de seus vinhos, que ilustram abordagens modernas dentro da região.

Andrew Jefford afirma que as Appellations francesas precisam de reforma para acompanhar a evolução das indicações geográficas. Em artigo recente, ele destaca que o sistema, criado originalmente para combater fraudes pós-filoxera, completa 90 anos neste mês.

O texto traça a memória histórica das APs, hoje conhecidas como APs ou GI, e reforça que as ferramentas de proteção de recursos locais ajudaram pequenos produtores a abrir mercados. Segundo o autor, o marco atual exige atualização para manter competitividade e legitimidade.

Jefford aponta que, apesar do papel histórico, o setor enfrenta crises de mercado, burocracia e mudanças climáticas. O artigo sugere mudanças profundas para permitir autonomia regional na gestão de regras e regulamentos.

Entre as propostas, o autor defende que as áreas sejam geridas pelos produtores locais, com possibilidade de reformular os cahiers des charges. A ideia é reduzir entraves e incentivar a inovação no setor.

O texto ressalta ainda a discussão sobre a legislação de comunicação de alcool, citando a antiga Lei Evin de 1991. A sugestão é remover restrições que limitam a expressão criativa sobre a tradição vitivinícola francesa.

Jefford enfatiza que a reforma poderia exigir menos intervenção estatal na economia, desde que mantidas as salvaguardas de qualidade. A meta é evitar estagnação e estimular investimentos em produção e branding regional.

No foco prático, o artigo cita o produtor Languedoc Domaine de la Dourbie como exemplo de criatividade na vinicultura. O portfólio demonstra atenção a vinhedos antigos e técnicas contemporâneas associadas a uma identidade local.

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