- Rabobank projeta demanda de fertilizantes no Brasil em 2026 em cerca de 47,2 milhões de toneladas, abaixo dos 49 milhões em 2025.
- O cenário é de preços elevados, dificuldades de crédito no campo e impactos geopolíticos no mercado global, incluindo o Oriente Médio.
- Em 2025, as entregas superaram 49 milhões de toneladas, mas a instituição vê provável recuo na demanda para a próxima safra.
- O Brasil depende de importações para cerca de 90 por cento dos fertilizantes; o Oriente Médio ainda responde por parte relevante do fornecimento, incluindo 12 por cento das importações totais e 36 por cento da ureia em 2025.
- Aproximadamente 70 por cento da ureia importada chega entre maio e dezembro; entre janeiro e 19 de março de 2026, os preços nos portos brasileiros subiram cerca de 76 por cento.
O Rabobank prevê recuo da demanda por fertilizantes no Brasil em 2026, depois de anos de crescimento. A projeção aponta consumo próximo de 47,2 milhões de toneladas, ante 49 milhões em 2025, em meio a preços elevados e dificuldades financeiras no campo.
O relatório aponta que agricultores preservaram investimentos recentes, mas enfrentam crédito mais restrito. O conflito no Oriente Médio também deve exigir atenção, elevando riscos e dificultando a repetição do desempenho de 2025.
Implicações para o abastecimento global
O banco destaca que o conflito geopolítico afeta preços e traz riscos às cadeias de suprimento, com impacto especialmente na ureia. A dependência brasileira de importações é de cerca de 90% dos fertilizantes usados no país.
A participação do Oriente Médio nas importações vem caindo, mas continua relevante. Em 2025, 12% dos fertilizantes importados tinham origem na região; para a ureia, 36% das compras, contra 53% em 2021.
A logística de chegada também influencia o mercado. Aproximadamente 70% da ureia entra no Brasil entre maio e dezembro, o que pode favorecer importadores apenas em cenários de interrupção curtas, segundo o Rabobank.
Perspectivas de preço e demanda
Entre janeiro e 19 de março, os preços da ureia nos portos brasileiros subiram cerca de 76%. O salto inicial ocorreu com o agravamento do conflito, superando a alta observada durante a fase inicial da guerra na Ucrânia.
A projeção de demanda em 2026 reflete ainda a pressão de preços persistentes. Em resumo, o Rabobank aponta um ambiente de menor estímulo à compra, com incertezas sobre crédito rural e riscos geopolíticos que pesam sobre o mercado.
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