- O economista Fabio Bentes, da CNC, afirma que o endividamento das famílias atingiu 80,4% em março, motivado pelo aperto monetário recente e por um desequilíbrio fiscal desde 2014.
- A CNC mostrou alta de 0,2 ponto percentual no endividamento em março e inadimplência estável em 29,6%, com elevação de 1,0 ponto percentual frente a março de 2025.
- O governo pretende liberar até R$ 7 bilhões do FGTS para cerca de 10 milhões de trabalhadores e avaliar nova versão do Desenrola Brasil para renegociação de dívidas.
- Segundo o economista, medidas de paliativo não resolvem o problema estrutural; juros altos refletem déficit público crônico e requerem revisão fiscal.
- A Selic caiu de 15% para 14,75% ao ano, mas o nível de juros ainda permanece elevado, impactando o custo do crédito e o endividamento.
O endividamento das famílias brasileiras alcançou 80,4% em março, ante 80,2% em fevereiro, o maior nível desde o início da série histórica em 2015. A leitura é resultado do ciclo de aperto monetário dos últimos anos, segundo Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.
Em entrevista ao Poder360, ele atribui o cenário ao desequilíbrio fiscal que persiste desde 2014, destacando que juros altos são o preço de esse desequilíbrio. A CNC aponta que a inadimplência ficou estável em 29,6% em março, mas avançou 1,0 ponto percentual ante março do ano passado.
A CNC divulgou o estudo que embasa as falas de Bentes, que completa 26 anos na entidade. O economista enfatiza que o crédito mais caro está ligado ao cenário fiscal e que medidas pontuais não resolvem o núcleo do problema.
Endividamento
Segundo a CNC, o aumento do endividamento reflete condições de crédito e o maior peso de juros na economia. A taxa Selic, que estava em 15% ao ano, começou a recuar recentemente para 14,75%. Em março, o patamar de empréstimos com recursos livres ficou próximo de 60%.
Bentes defende que é preciso repensar a política fiscal para reduzir a pressão de juros. O economista ressalta que o custo financeiro atual é resultado de déficits persistentes desde 2014 e não apenas de choques pontuais.
Desenrola é paliativo
O governo avalia liberar até R$ 7 bilhões do FGTS para cerca de 10 milhões de trabalhadores e estudar uma nova edição do Desenrola Brasil para renegociar dívidas. A CNC afirma que tais medidas podem oferecer alívio de curto prazo, sem atacar a raiz do problema.
Ele aponta ainda fatores como a inflação, pressionada pela guerra no Irã, que impacta famílias de menor renda. Em março, o IPCA atingiu 0,88%, acima das estimativas, o que pode influenciar postergações na política monetária.
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