- Taxas de juros altas mantêm o custo do crédito elevado e ajudam a manter a inadimplência e o endividamento em nível crítico no país. A Selic está em 14,75% ao ano, com expectativa de manter-se elevada até o fim do ano.
- Endividamento das famílias bateu recorde: 80,4% das famílias estavam endividadas em março, conforme dados da Serasa e da Peic.
- Inadimplência atinge números próximos de recordes: 81,4 milhões de inadimplentes em fevereiro, o maior desde 2020, segundo a Serasa.
- O ciclo de dívidas costuma começar com empréstimos para quitar dívidas anteriores, agravado por juros altos e baixa educação financeira, segundo especialistas ouvidos pela CNN Money.
- Há sinais de desaceleração no crédito e de necessidade de medidas fiscais mais estruturais; fornecedores de crédito emergencial e políticas como o Desenrola 2.0 são vistos como paliativos de curto prazo.
O endividamento dos brasileiros segue em patamar alto, impulsionado por juros elevados e pouca educação financeira. Dados do Banco Central, Serasa e CNC apontam cenário crítico para as finanças pessoais, com inadimplência e comprometimento de renda em escalas recordes.
Segundo o Cenário divulgado, o comprometimento da renda para pagamento de dívidas atingiu níveis históricos, enquanto a inadimplência cresceu nos últimos 10 anos em cerca de 38%, conforme levantamento da Serasa. Bancos e varejo aviltam crédito diante desse quadro.
Em março, o índice de famílias endividadas chegou a 80,4% na série histórica da Peic, mostrada pela CNC. O recorte de inadimplência, por sua vez, alcançou 81,4 milhões de pessoas em fevereiro, segundo a Serasa, o maior volume desde 2020.
Juros altos e comportamento do crédito
A taxa Selic estava em 14,75% ao ano até a metade de março, com tendência de manter o aperto monetário mesmo após recente corte de 0,25 ponto. Economistas afirmam que juros elevados aceleram a dobra de dívidas em cerca de um ano e meio, mesmo com flexibilização lenta.
Dados do BC indicam recorde de saques por pessoas físicas em dezembro de 2025, enquanto o endividamento com renda comprometida atingiu o maior nível desde o início da série. A projeção é de crescimento menor em 2026, com sinais de desaceleração no crédito.
Especialistas destacam que o ciclo de financiamento é alimentado por crédito com juros altos, uso facilitado de novas linhas e pela escassez de educação financeira, gerando uma bola de neve para muitas famílias.
Educação financeira e histórico de casos
Dentre os relatos, a artesã Vania Lima Bomfim relata que recorreu a empréstimos consignados e financiamento de veículo durante a pandemia para sustentar negócios. Com o tempo, o acúmulo de dívidas passou a comprometer a saúde financeira.
Pesquisas indicam que apenas uma em cada quatro famílias organiza as contas, enquanto cerca de 9% entendem que gastar menos que a renda é boa prática. Economistas ressaltam que dívidas tendem a surgir pela combinação de educação financeira insuficiente e crédito caro.
Aline Vieira, da Serasa, aponta que fatores externos como desemprego e juros altos, aliados a decisões de consumo, ajudam a explicar a inadimplência. Já Gean Duarte, da Me Poupe!, ressalta o peso de juros abusivos e do planejamento financeiro inadequado.
Medidas públicas e perspectivas
Autoridades discutem medidas para conter o endividamento estrutural, incluindo o uso do FGTS para quitar dívidas via Desenrola 2.0. Especialistas divergem: alguns veem a medida como paliativa de curto prazo, enquanto outros defendem ações fiscais mais robustas para reduzir juros de forma sistêmica.
Economistas destacam que mudanças estruturais na política fiscal devem acompanhar qualquer estratégia de crédito, sob pena de retorno do ciclo de endividamento. O desafio é equilibrar a política monetária com ações de responsabilidade fiscal.
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