- Feiras internacionais de beleza sinalizam mudança: foco não é mais parecer jovem, e sim promover função de pele, cabelo e couro cabeludo.
- A virada inclui a zona Inner Beauty na in-cosmetics Global para nutricosméticos (cápsulas, pós e bebidas) que atuam de dentro para fora; a McKinsey aponta crescimento disciplinado do setor.
- Biotecnologia e natureza passam a atuar juntas, com ingredientes biomiméticos que replicam funções da pele de forma mais controlada e escalável.
- O Brasil permanece afastado do centro dessa inovação, com mercado interno ainda valorizando desconto e preço, em vez de transformação tecnológica.
- Outras tendências mencionadas: cuidado com o couro cabeludo ganha relevância, IA vira padrão para diagnóstico e personalização, e o K-beauty (coreano) influencia textura, embalagem e ritmo de inovação.
Nos últimos anos, duas feiras moldaram o que chegará ao consumidor brasileiro nos próximos 12 meses. A Cosmoprof Worldwide Bologna, na Itália, encerrou sua edição de 2026 em março com recorde de expositores coreanos e mais de 250 mil visitantes. A in-cosmetics Global ocorre em Paris e vai até hoje (16), reunindo mil fornecedores de ingredientes.
O recado é claro: a indústria deixou de prometer juventude e passou a priorizar longevidade. Pele, cabelo e couro cabeludo com função comprovada ganham espaço, segundo o CosmoTrends e o programa da feira. Saímos de promessas para foco em desempenho real.
Mudança de eixo
A segunda virada aponta para a fronteira entre cosmético e suplemento. A in-cosmetics lança a Inner Beauty Zone, dedicada a nutricosméticos com cápsulas, pós e bebidas que atuam de dentro para fora. O mercado é descrito pela McKinsey como em crescimento disciplinado, com expectativas maiores do consumidor.
Biotecnologia e natureza
A terceira mudança envolve biotecnologia e natureza. Ingredientes biomiméticos, criados em laboratório, simulam funções da pele com maior controle e escala. Natural no efeito, tecnológico na origem, dizem as坪, aproximando ciência e rotina de cuidado.
Brasil e o posicionamento
No Brasil, a discussão é de atraso relativo à agenda internacional. O país abriga grande biodiversidade, mas pouco participa ativamente das decisões da indústria. O mercado interno ainda prioriza desconto e rotação rápida, em detrimento de inovação robusta.
Cabelo e couro cabeludo em foco
Outro tema crescente é o cuidado com o couro cabeludo. Produtos que respeitam o microbioma e sinais bioelétricos passam a integrar linhas que tratam a raiz como extensão da pele. A mudança de linguagem exige atualização de marcas e clínicas.
K-beauty e IA
O peso do K-beauty fica evidente: coreanas dominaram pavilhões e inovam em textura e embalagem. Também há avanço da IA para diagnóstico por imagem e personalização, tornando a experiência de compra e tratamento cada vez mais específica.
Reflexo no mercado interno
O desafio é traduzir avanços internacionais para prática nacional. Além de talento, é necessária prioridade, estudo e disposição para sair da zona de conforto. A indústria que entender o ciclo não é sobre parecer jovem, mas sobre envelhecer com função.
Olhar para o futuro
Quem alinhar estratégia a esse novo ciclo tende a liderar a próxima década. O restante do setor pode perder ritmo ao competir apenas por preço e desconto. O caminho apontado é integrar ciência, tecnologia e natureza de forma aplicada.
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