- Entre 2021 e 2025, as exportações dos EUA para Cuba cresceram 148%, passando de US$ 327 milhões para US$ 810,8 milhões, segundo estudo da consultoria AUGE.
- A relação acontece por remessas convertidas em capital, cadeias de suprimento informais e plataformas digitais, conectando Miami e Cuba mesmo com distâncias políticas.
- De 2022 a 2025, as importações de Cuba caíram 37%, mas a participação dos EUA nas importações cubanas subiu de 3,9% para estimados 13,1% em 2025.
- Remessas dos EUA sustentam consumo e investimento no setor privado cubano, impulsionando MIPYMES e operações de última milha promovidas por agências de remessas na Flórida.
- Em março de 2026, Cuba abriu caminho para investimento da diáspora cubano-americana no país; obstáculos incluem sanções da OFAC, questões cambiais e aprovação de MIPYMES, com projeções de exportações entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão em 2028 (cenário base).
Desde 2025, a relação política entre EUA e Cuba permanece tensa, mas o fluxo econômico bilateral mostra crescimento. Dados analisados pela consultoria AUGE apontam exportações norte-americanas para Cuba aumentando 148% entre 2021 e 2025, de US$ 327 milhões para US$ 810,8 milhões. A ponte ocorre fora de grandes acordos governamentais.
O estudo aponta que o impulso vem de remessas transformadas em capital para pequenas empresas cubanas e de cadeias de suprimentos que operam entre dois regimes legais. Além disso, plataformas digitais conectam oferta e demanda de ambos os lados, ampliando o comércio informal autorizado.
AUGE reforça que o cenário não é acidental. Em 2022, o relatório Las 100 MIPYMES mostrou que 16% das micro, pequenas e médias empresas cubanas tinham sócios residentes no exterior, principalmente nos EUA. A reforma de março de 2026 deve formalizar esse investimento da diáspora, segundo a consultoria.
Em 2025, as exportações para o setor privado cubano (MIPYMES) chegaram a US$ 173,6 milhões, com US$ 149,4 milhões em veículos, apontando crescimento de 122% frente ao ano anterior. Enquanto isso, as importações cubanas caíram 37% entre 2022 e 2025, devido à crise de divisas e à redução de parcerias tradicionais.
AUGE destaca que, mesmo com a redução total das compras externas de Cuba, a participação norte-americana nas importações cubanas subiu de 3,9% em 2021 para uma estimativa de 13,1% em 2025. Assim, o que diminuiu no total acabou ampliando o peso dos EUA no consumo cubano.
Remessas como motor invisível
As remessas enviadas dos EUA sustentam o consumo familiar em Cuba e investem no setor privado local. O dinheiro serve de capital de giro para MIPYMES e funciona como empréstimo entre familiares que impulsiona novos negócios. Agências de remessas na Flórida atuam como facilitadoras logísticas, movendo produtos que vão de alimentos a equipamentos.
Essas agências evoluíram para operações que abrangem transporte aéreo e marítimo, oferecendo serviços que vão além de dinheiro. Segundo o estudo, elas facilitam compras por meio de plataformas globais, com entregas garantidas a Cuba, por meio de intermediários.
O sul da Flórida é apontado como centro logístico do comércio com Cuba. Em 2023, a Crowley Maritime indicou envio de mais de 300 contêineres semanais para Mariel, partindo de Fort Lauderdale, Carolina do Norte e Jacksonville, cobrindo barcos de 20 e 40 pés.
A ponte entre Miami, terceiros países e Cuba envolve uma rede que inclui fornecedores, consolidadoras, agentes de carga autorizados pela OFAC e receptores cubanos, cada um atuando cada vez mais por meio de MIPYMES locais.
Um softwareista em Havana pode trabalhar para uma startup em Miami sem ir aos EUA, enquanto um designer cubano pode atender a uma imobiliária de Orlando. A tecnologia desmaterializou a fronteira, afirma a AUGE.
Marcas e presença de mercado
Em Havana surgiram empresas cubanas inspiradas em marcas globais, como Starcafé, Burger Queen e estabelecimentos no estilo KFC. Além dessas criações, marcas norte-americanas com atuação indireta incluem Ecoflow, Colgate, Ford, Coca Cola, Kellogg’s, Hershey’s e Goya, entre outras, abastecendo varejo e alimentação.
Para chegar aos consumidores, empresas com base na Flórida utilizam marketing digital direcionado a cubanos, com presença em redes sociais como Facebook, Instagram e WhatsApp, atuando como vitrines de marcas e produtos.
Anúncio da diáspora e entraves
Em março de 2026, o governo cubano anunciou que cubano-americanos poderão investir diretamente no setor privado da ilha, abrindo três vias: participação em MIPYMES, incorporação a MIPYMES já existentes e investimentos estrangeiros em empresas privadas cubanas.
AUGE descreve impactos potenciais diante de desafios: aprovação lenta de MIPYMES, instabilidade bancária e cambial agravada pela crise energética, pouca confiança regulatória e sanções dos EUA que afetam cubano-americanos com cidadania norte-americana.
Perspectivas para o futuro
Caso as tendências atuais se mantenham, as exportações norte-americanas para Cuba podem ficar entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão até 2028, consolidando os EUA como um dos principais fornecedores da ilha. Um cenário otimista, com flexibilização regulatória, poderia chegar a US$ 2 bilhões.
Por outro lado, cenários mais conservadores, com sanções mais rígidas ou retrocessos cubanos, podem reduzir o comércio para US$ 400 milhões a US$ 500 milhões anuais. Fatores a monitorar incluem o marco regulatório, o investimento da diáspora, o fluxo de remessas e a disponibilidade de divisas.
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