- O endividamento familiar elevado em 2026 é visto como entrave ao varejo, com inadimplência e juros altos freando o consumo.
- A taxa Selic permanece em 14,75% ao ano, mesmo após corte recente, mantendo o crédito mais caro e pressionando a renda das famílias.
- O Brasil registra recorde de saques por pessoas físicas em dezembro de 2025 e o maior nível de comprometimento de renda com dívidas em janeiro, segundo o Banco Central.
- O varejo deve crescer de forma mais moderada, com impactos mais fortes em itens de maior dependência de crédito, como bens duráveis e veículos.
- Empresas do setor ajustam estoque, foco em itens de maior giro e revisam planos de expansão, diante da combinação de renda elevada e crédito restrito.
O endividamento familiar no Brasil em 2026 acende o alerta para setores como o varejo, que teme a trava do consumo diante de juros altos e maior inadimplência. Especialistas afirmam que o cenário concentra riscos ao consumo, ainda que haja sinais de aquecimento no mercado de trabalho.
A taxa Selic, em 14,75% ao ano, segue elevada mesmo após recente corte de 0,25 ponto percentual. Dados do Banco Central mostram recordes de saques por pessoas físicas em dezembro de 2025 e o maior comprometimento da renda com dívidas desde o início da série, em janeiro.
Para o varejo, o custo financeiro das empresas e a menor disposição de crédito sustentam uma expansão mais lenta. Economistas destacam que bens duráveis, veículos e itens de alto valor são os mais impactados, com redução no volume de vendas em segmentos dependentes de parcelamento.
O cenário é considerado uma dicotomia: aquecimento do emprego sustenta renda, mas a indisponibilidade de crédito freia o consumo. A massa de renda de 2025 é apontada como recorde, mas o crédito cada vez mais caro reduz a capacidade de consumo.
Analistas avaliam que a combinação de crédito mais restrito e inadimplência elevada provoca pressão de capital de giro e reorganização de estoques. Segundo especialistas, varejistas ajustam estratégias com redução de estoques e foco em itens de maior giro.
Dados do IBGE indicam que o varejo fechou 2025 com crescimento modesto, 1,6%, enquanto o varejo ampliado avançou apenas 0,1%. A dependência de crédito explica boa parte da diferença entre segmentos, segundo a Confederação Nacional do Comércio.
Segundo ASPASF, a intenção de consumo tem mostrado recuperação desde outubro de 2025, o que ajuda a reverter parcialmente o cenário desfavorável. Indicadores de confiança empresarial apontam melhora, mas ainda convivem com custos de crédito elevados.
Analistas ressaltam que o impacto do custo de crédito se estende à cadeia de suprimentos: menor giro de estoques, maior necessidade de eficiência operacional e revisões de planos de expansão, especialmente entre varejistas com maior dependência de financiamento.
Mesmo com renda aquecida, o refinanciamento de dívidas continua predominante, limitando o consumo agregado. Para Guilherme Freitas, da Stone, a combinação de alta inadimplência e juros altos mantém o varejo em estágio de voo de galinha, sem perspectivas de queda acentuada nem recuperação acelerada.
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