- O Met abriu a mostra “Krasner and Pollock: Past Continuous”, em outubro, apresentando quarenta e mais de 120 obras de 80 emprestadores, com foco em analisar Lee Krasner e Jackson Pollock “em seus próprios termos” e em relação um ao outro.
- No mercado, Pollock continua sendo o grande troféu do século XX, enquanto Krasner — esposa e parceira de Pollock — ainda luta para obter reconhecimento de preço, com a diferença de valor entre eles persistindo.
- O recorde de Pollock em leilão é de US$ 61,2 milhões; Krasner ficou pouco abaixo, em US$ 11,7 milhões, em 2019, na Sotheby’s, evidenciando o desnível de valorização.
- A explicação envolve maturação histórica, valor de mercado seletivo (preferência por Krasner em estilos mais digestíveis) e uma oferta limitada de obras da artista, aliada à concentração de peças importantes em instituições.
- Nos próximos meses, duas Krasner vão ao leilão da Christie’s em maio: “Lotus” (estimativa de US$ 1,8 milhão a US$ 2,5 milhões) e “Volcanic” (estimativa de US$ 1 milhão a US$ 1,5 milhão), ilustrando o dilema de valor entre diferentes fases da obra.
O Metropolitan Museum of Art anuncia uma exposição sobre Lee Krasner e Jackson Pollock, intitulada Krasner and Pollock: Past Continuous. A mostra terá abertura em outubro e reúne 120 obras de mais de 80 lenders, com foco em avaliar cada artista em seus próprios termos, em relação um ao outro.
A narrativa institucional situa Krasner como par da figura de Pollock, ressaltando a atuação de Krasner como pintora de destaque no movimento da Abstração Expressionista. O mercado, porém, permanece mais lento para Krasner do que para Pollock, especialmente em valores de auction.
A lacuna de preços entre Pollock e Krasner segue grande. Pollock teve recorde de auction em 61,2 milhões de dólares, enquanto Krasner ficou próximo de 11,7 milhões, alcançado em 2019 na Sotheby’s. A diferença persiste mesmo após retrospectivas e reconhecimento institucional.
A explicação envolve fatores históricos e de mercado. Krasner amadureceu durante o período da Abstração, em que o masculino foi idealizado como prova de vida artística. Pollock ocupou esse papel, enquanto Krasner, mais contida, teve valorização distinta ao longo das décadas.
Mercado e colecionismo também moldam a percepção de Krasner. Compradores costumam solicitar obras em estilos específicos, com valores que não correspondem à disponibilidade real. Balanço entre demanda de grandes formatos e preços aceitáveis segue como desafio.
Segundo especialistas, boa parte da demanda por Krasner ocorre em negociações privadas, fora de leilões, com preços que às vezes acompanham ou excedem referências públicas. Ativos de alto valor permanecem em mãos de instituições ou colecionadores relutantes em vender.
Dados de mercado apontam assimetrias: entre 2005 e 2015, Krasner movimentou menos volumes que Frankenthaler; desde 2015, os preços subiram, mas a liquidez permanece restrita, com apenas 29 obras trocadas publicamente. A escassez sustenta elevação de preços por poucos works.
A atual temporada de Krasner ganha contexto com o mercado de Pollock. Entre 2005 e 2015, 20 obras de Pollock valeram cerca de 226 milhões; na década seguinte, 15 obras somaram 181 milhões. A relação entre volume e valor permanece desfavorável a Krasner.
Esfera institucional
A exposição do Met pode ampliar o alcance de Krasner, buscando colocar a artista em evidência para o público americano. Uma retrospectiva de Barbican/Bilbao em 2019-2020 não gerou giro expressivo na demanda norte-americana.
No próximo mês, duas obras de Krasner vão a leilão na Christie’s: Lotus (1972) com estimativa de 1,8 a 2,5 milhões de dólares, e Volcanic (1951) entre 1 e 1,5 milhão. Os lançamentos destacam a diversidade de fases da artista.
A movimentação comercial de Krasner hoje envolve tanto mercados privados quanto leilões, com desempenho desigual entre obras de diferentes períodos. A relação entre Krasner e Pollock continua a moldar as expectativas para a precificação de suas obras.
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