- Pela primeira vez em quatro anos, 81,3 milhões de brasileiros deixaram de pagar contas, segundo dados do Serasa, em meio ao aumento do superendividamento.
- O governo estuda um novo programa de renegociação de dívidas para enfrentar o cenário, com a ideia de aliviar a inadimplência no curto prazo.
- Especialistas dizem que programas como o Desenrola ajudam a reorganizar dívidas caras, mas não atacam as causas estruturais do endividamento, como inflação, juros altos e educação financeira insuficiente.
- Em 2025, o total de inadimplentes chegou a 78,2 milhões, alta de quase sete milhões desde o lançamento do Desenrola em 2023.
- O Banco Central mantém a taxa de juros em 14,75% ao ano, citando inflação ainda acima da meta e desaceleração econômica; o presidente Lula reconheceu que o Desenrola não atendeu plenamente as necessidades da população.
Pelo meno de 81,3 milhões de brasileiros passaram a deixar de pagar dívidas, segundo dados do Serasa, sinalizando o maior nível de inadimplência dos últimos quatro anos. O desequilíbrio financeiro ocorre em meio a inflação persistente, juros elevados e crédito facilmente acessível, conforme análises de especialistas.
Estimativas indicam que o cenário de superendividamento levou o governo a estudar um novo programa de renegociação de dívidas. A ideia é oferecer condições mais favoráveis para quitar débitos, prestando alívio imediato, mas sem resolver, por completo, as causas estruturais do endividamento.
Desde 2023, o Desenrola tem sido utilizado como ferramenta para renegociação de dívidas com descontos, parcelamentos e educação financeira. O programa é feito em parceria com instituições financeiras, em adesão voluntária para devedores e bancos.
Desenrola e seus impactos
A adesão ao Desenrola, lançado em julho de 2023, foi marcada por números de inadimplência em constante evolução. Em julho de 2023 havia 71,41 milhões de inadimplentes; em 2025, o total subiu para 78,2 milhões, segundo fontes oficiais. O programa busca reorganizar dívidas caras para reinserção no mercado de crédito.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que o Desenrola não atendeu plenamente às necessidades da população e sinalizou estudos para aperfeiçoá-lo. A declaração foi feita em meio ao debate sobre novas medidas de renegociação.
Perspectivas e críticas
Especialistas ressaltam que a renegociação pode oferecer alívio de curto prazo, mas não altera as causas profundas do endividamento. Entre os fatores citados estão a inflação elevada, crédito caro, especialmente no cartão de crédito, e, ainda, desorganização financeira familiar.
O economista Augusto Mergulhão aponta que a educação financeira é essencial para evitar reincidência de endividamento. A visão é de que políticas de crédito devem mirar reformas estruturais, como maior poupança e redução de juros excessivos.
Condições de crédito e juros
A taxa básica de juros está em 14,75% ao ano, o maior patamar após um período de cortes. Analistas destacam que o Banco Central permanece cauteloso para reduzir a taxa devido à inflação ainda acima da meta e a fatores externos pressionando preços.
A avaliação geral é de que políticas de renegociação, por si s, não eliminam a vulnerabilidade financeira das famílias. A prioridade discutida envolve combinar medidas de crédito com educação financeira e medidas macroeconômicas que reduzam custos de crédito.
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