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Brasil tem sobra de energia limpa; planeja usar para mineração de bitcoin

Radius Mining planeja transformar energia desperdiçada de usinas renováveis em Bitcoin, assinando acordos com geradores; projeto piloto envolve seis megawatts médios, com potencial de cinquenta MW

O Brasil tem “sobra” de energia limpa. Eles querem transformar em bitcoin
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  • A Radius Mining, criada por um empresário com experiência em cripto e mercado financeiro, negociação acordos para minerar Bitcoin a partir de energia desperdiçada de usinas eólicas e solares no Brasil.
  • O curtailment, desligamento de parte da geração para evitar sobrecarga na rede, está impulsionando o modelo; as máquinas ficariam dentro da área das usinas e não ligadas ao grid.
  • A empresa levantou R$ 28 milhões com seus fundadores, entrou no captable Leonardo Midea e mira três negociações avançadas, com potencial de atingir cinquenta megawatts médios de energia.
  • O primeiro acordo em formato de prova de conceito envolve seis megawatts médios, suficiente para abastecer uma cidade de 24 mil pessoas por um mês; o modelo de negócio varia conforme o gerador.
  • A Radius já fechou contrato de operação e manutenção com AXIA Energia para um projeto de P&D de mineração a partir de parque eólico na Bahia; estimativas de desempenho e demanda projetam até quinhentos megawatts médios via seus projetos.

A Radius Mining está buscando transformar energia desperdiçada de usinas eólicas e solares em Bitcoin. A empresa negocia acordos com geradores para minerar parte da energia que hoje é cortada pela rede, conhecida como curtailment. O movimento visa reduzir perdas e ampliar o uso de renováveis.

Com 28 milhões de reais captados em rodada inicial, os fundadores já contam com um investidor importante, Leonardo Midea, ex-sócio da Prime Energy. Ele aponta que 95% do custo na mineração é energia, o que facilita a sinergia com o setor elétrico.

A Radius planeja instalar equipamentos de mineração dentro das áreas das usinas, sem conexão direta ao grid. A ideia é captar energia durante o curtailment e gerar Bitcoins, repassando parte da energia aos geradores como faturamento.

O segundo foco é assinar contratos com renováveis para operações de mineração, mantendo a operação e manutenção dos equipamentos. Um piloto envolve 6 MW médios, suficiente para abastecer uma cidade de 24 mil habitantes por mês, com potencial de chegar a 50 MW médios.

Estratégia e parcerias

A Radius atua já com contrato de O&M para a AXIA Energia, em projeto de R&D voltado a uma operação de Bitcoin a partir de um parque eólico na Bahia. Outros players do setor estudam o tema, como Renova Energia, Serena Energia e Casa dos Ventos.

Os formatos de fornecimento de energia serão avaliados caso a caso, já que mineração de Bitcoin pode usar energia que não seria desperdiçada, mas também rende mais se permanecer ligada por mais tempo. A empresa considera outras fontes de crédito e usinas com excedentes.

Segundo Flávio Hernandez, fundador e CEO, há negociações avançadas com geradores. Ele estima que, neste ano e no próximo, devem surgir os primeiros projetos, somando cerca de 500 MW médios de demanda de energia.

Impacto financeiro e perspectiva

Um estudo da Volt Robotics aponta que, em 2025, o Brasil desperdiçou cerca de 20% da energia eólica e solar, devido aos cortes de geração. A pesquisa estima perda de receita de renováveis em torno de R$ 6,5 bilhões por causa do curtailment.

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