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BRB afirma ao BC que Master traria lucro para fechar negócio

BRB apresentou cálculos de ganhos ao BC para viabilizar a compra do Master; projeções infladas recuaram para 83 milhões em 2025, questionando a viabilidade

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  • A diretoria do BRB afirmou ao Banco Central que a fusão com o Master traria resultados financeiros robustos, projetando ganho líquido de R$ 838 milhões em 2025 e até R$ 3,8 bilhões em 2029.
  • No entanto, as estimativas foram reduzidas ao longo do processo: em maio de 2025, a previsão para 2025 caiu para cerca de R$ 736 milhões e a de 2029 para R$ 3,7 bilhões.
  • O BC apontou problemas graves, incluindo “erros básicos de cálculo”; após descontos, o lucro de 2025 seria de apenas R$ 83 milhões, muito abaixo do inicialmente projetado, colocando em xeque o estudo de viabilidade.
  • Uma auditoria da PwC, contratada pelo BRB, também levantou dúvidas, com falta de informações sobre ativos e passivos do Master e recomendando análise mais profunda da capacidade de pagamento.
  • A 3ª fase da Operação Compliance Zero ocorreu em 16 de abril de 2025, com prisões ligadas ao caso, incluindo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o ex-advogado do Master, Daniel Monteiro; Costa é suspeito de receber imóveis de luxo acima de R$ 146 milhões.

Nas tentativas de fechar a compra do Banco Master, o BRB apresentou ao BC cálculos que apontavam lucro robusto, para justificar a operação em 2025. Em março daquele ano, a projeção era de ganho líquido de R$ 838 milhões, com crescimento até R$ 3,8 bilhões em 2029. As informações chegaram ao conhecimento do público por meio de documentos obtidos pelo Metrópoles.

Ao longo do processo, porém, as estimativas foram revisadas para baixo. Em maio, o lucro projetado para 2025 caiu para cerca de R$ 736 milhões, e o horizonte de 2029 passou a ser estimado em R$ 3,7 bilhões.

O Banco Central indicou problemas relevantes nas análises do BRB. Em setembro, a área técnica apontou erros básicos de cálculo. Segundo o BC, após abatimentos de impostos e participações, o lucro de 2025 seria de apenas R$ 83 milhões, estudo que comprometeu a viabilidade da operação.

Uma auditoria da PwC, contratada pelo BRB, também levantou dúvidas. A empresa indicou falta de informações sobre ativos e passivos do Master e sugeriu uma avaliação mais aprofundada da capacidade de pagamento do banco.

No caso, o BC apresentou questionamentos sobre o impacto da operação no caixa do BRB. Na defesa, Paulo Henrique Costa minimizou os riscos, afirmando que as sinergias operacionais e comerciais entre as instituições compensariam a liquidez consumida e garantiriam o retorno financeiro esperado.

A 3ª Fase da Operação Compliance Zero

A Polícia Federal deflagrou a terceira fase da operação na manhã de quinta-feira, com mandados em SP e no DF. A ação prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sob suspeita de atuação como mandatário de Vorcaro mediante propina.

A investigação aponta que Costa teria recebido valores em imóveis de luxo acima de R$ 146 milhões, em compras feitas pelo dono do Master. Também houve prisão do ex-advogado do Master no processo, Daniel Monteiro, acusado de atuar como laranja para a compra de ações do BRB e influenciar a governança do banco estatal. A operação foi autorizada pelo ministro relator do STF, André Mendonça.

O advogado Cleber Lopes, que representa Costa, sustenta que não houve crime e que a prisão é desnecessária.

Novos planos do Master com o BRB

Apesar da rejeição à operação, o Master informou que as conversas com Paulo Henrique Costa continuaram. Em 22 de setembro de 2025, Vorcaro apresentou ao BC uma minuta de acordo para venda de até R$ 400 milhões em operações de crédito originadas pelo Master, como parte de um plano de recuperação.

O documento também previa venda de ativos e entrada de investidores estrangeiros. Vorcaro afirmou que o acordo permitiria a entrada de recursos suficientes para cobrir as despesas operacionais do Master, e contestou o rigor da análise do BC sobre a transação.

A defesa do Master sustenta que, como a operação envolvia dois bancos autorizados e não alterava a natureza do negócio, a análise deveria ter sido mais contida, com foco na capacidade econômica dos controladores, na origem lícita dos recursos e na reputação do novo integrante.

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