- Canva está investindo em IA como evolução do design, com três pilares: desenvolvimento interno, integração de modelos externos e um ecossistema de aplicativos com IA.
- Modelos proprietários custam entre 18 e 30 vezes menos que soluções de terceiros, permitindo oferecer mais de 200 milhões de usuários gratuitos.
- O Affinity foi disponibilizado gratuitamente, com monetização baseada em créditos de IA usados pelos usuários.
- A arquitetura revisada reorganiza funções como remoção de fundo, troca de cores e fontes para serem acessíveis via IA, usando um núcleo de design em camadas.
- A meta é tornar o Canva a plataforma que gerencia o ciclo completo de marketing de empresas, com lançamento de IPO previsto para 2027.
O Canva, conhecido por democratizar o design, está ampliando sua aposta em inteligência artificial para controlar o fluxo criativo em toda a plataforma. Em entrevistas à EXAME, executivos da empresa apresentaram a estratégia por trás da maior atualização da história da companhia, visando tornar a IA central para criação, edição e gestão de conteúdos.
A promessa é transformar o Canva em uma plataforma única para governar todas as etapas do trabalho criativo, indo além do design tradicional. A visão é manter acessibilidade para milhões de usuários enquanto se desloca para um ecossistema guiado por IA.
A empresa acumula 265 milhões de usuários, oito anos de lucro e um valuation de US$ 66 bilhões. Agora, aposta que IA pode tornar o Canva a base de operações criativas de clientes em larga escala, mantendo o custo por inferência baixo com modelos proprietários.
Três pilares guiam a estratégia, segundo Duncan Green, Head of Ecosystem e cofundador da Affinity, adquirida pela plataforma. Primeiro: desenvolvimento interno, com a equipe de pesquisa crescendo para mais de 120 pessoas após a aquisição da Leonardo AI em 2024 e o foco em modelos proprietários.
Segundo: integração com modelos externos, como OpenAI e Anthropic, quando a solução externa é mais adequada para resolver um problema específico. Terceiro: o ecossistema, que permite que desenvolvedores criem aplicativos dentro do Canva que utilizem IA diretamente na página.
A empresa afirma que os modelos próprios reduzem custos entre 18 e 30 vezes em relação a alternativas de terceiros, viabilizando o atendimento a mais de 200 milhões de usuários gratuitos, inclusive 100 milhões no segmento educacional. Essa vantagem de custo sustenta o modelo de negócio da empresa.
Entre os movimentos estratégicos, a adoção do Affinity gratuito se destacou. O pacote de software de design profissional, adquirido por cerca de US$ 380 milhões em 2024, passou a ser disponibilizado sem custo para todos os usuários, com monetização via créditos de IA. A meta é converter usuários gratuitos em usuários que recorrem a IA e, eventualmente, em pagantes.
O resultado inicial mostrou mais de 5 milhões de cadastros em quatro meses, com Brasil e Índia liderando o interesse. A transparência no consumo de créditos é parte do modelo, segundo o executives, que ressaltam a oferta de opções entre modelos mais avançados e simples, conforme o consumo de créditos.
Na prática, a rearquitetura da plataforma envolveu dois anos de trabalho para adaptar cada função existente, como remoção de fundo, alterações de cores e substituição de fontes, para que operem por meio de IA. O núcleo é um design proprietário que trabalha com camadas editáveis, em vez de gerar imagens planas apenas a partir de prompts.
Essa abordagem permite que um usuário crie, por exemplo, um pitch deck, ajuste o layout, altere cores e publique tudo dentro do mesmo ambiente, sem sair do Canva. A empresa destaca que esse fluxo unificado é o diferencial técnico da solução.
Quando o assunto é edição de vídeo profissional, a Canva reconhece limites frente a parcerias. A Blackmagic Design, criadora do DaVinci Resolve, é vista como referência de profundidade tecnológica. Por isso, a parceria com a Resolve é vista como alinhamento de valores e missão, mantendo uma estratégia de coexistência entre aquisições e parcerias.
O cofundador e COO, Cliff Obrecht, amplia o objetivo de longo prazo: tornar o Canva a plataforma que gerencia o ciclo completo de marketing, desde a criação até a distribuição e mensuração. A visão é oferecer uma plataforma que atenda objetivos de marketing com automação e aprendizado, reduzindo perdas no investimento publicitário.
O curioso cenário de mercado mostra o Canva disputando espaço com gigantes como Google, Meta e Adobe, além de dezenas de plataformas especializadas. A empresa sustenta que a combinação de escala, integração de ferramentas e IA proprietária oferece vantagem competitiva difícil de replicar.
Entre os elementos que protegem a vantagem competitiva, destaca-se a gestão do ciclo de vida do software. Segundo Cameron Adams, cofundador e Chief Product Officer, a complexidade de manter, corrigir bugs e garantir segurança é o diferencial que não se resolve apenas com prompts simples. A gestão de produto continua sendo tão crítica quanto a geração de conteúdo.
O Canva reforça que não pretende depender apenas de aquisições ou de desenvolvimento interno. A empresa adota uma postura de que aquisição e parceria são estratégias complementares, não excludentes, para acelerar o crescimento em áreas de alta profundidade tecnológica.
A reportagem destaca que o mercado ainda é dominado por grandes players com décadas de atuação. A aposta do Canva é justamente que a combinação de alcance, integração de IA e capacidades proprietárias crie uma barreira de entrada significativa para rivais que tentem copiar o modelo completo.
A equipe responsável pela reportagem viajou a convite do Canva para cobrir a evolução da IA na plataforma. A matéria não expressa opinião do veículo, apenas descreve dados e declarações dos executivos sobre a estratégia, custos e próximas etapas da empresa.
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