- A Boa Safra ainda deve 87% da receita vinda da soja, mas novas culturas já somam cerca de R$ 300 milhões em receita.
- O milho é a aposta de crescimento no longo prazo, com expectativa de dobrar o negócio no Brasil nos próximos anos.
- A empresa expandiu o portfólio desde 2023, incluindo joint venture na Nigéria e acordo com a Syngenta para aumentar a capacidade de sementes de milho.
- Em 2025, a receita líquida atingiu R$ 2,6 bilhões, alta de 42%, mas o EBITDA caiu 26% e a margem recuou para 5%; lucro líquido caiu ao fim de 2025, com desempenho considerado “decepcionante” pelo CEO.
- A Boa Safra opera com modelo asset light, 16 unidades no país, cerca de 600 produtores parceiros e 315 mil hectares sob contrato, sem possuir terras próprias.
A Boa Safra traça estratégias para crescer no longo prazo, com a soja mantendo a liderança, mas com novas culturas ganhando espaço. Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO Marino Colpo e o CFO Felipe Marques detalharam o movimento de diversificação da empresa após o IPO de 2021. O foco atual é ampliar a atuação no milho e em outras culturas.
Hoje, a soja representa 87% da receita da Boa Safra. As demais culturas, entre elas milho, sorgo, trigo e feijão, já respondem por cerca de R$ 300 milhões em receita. A empresa revela expectativa de dobrar o negócio de milho nos próximos anos, sem abrir mão da participação da soja.
A companhia adotou um modelo asset light, sem posse de terras, operando com 16 unidades no Brasil. São 600 produtores parceiros sob contrato, em 315 mil hectares, com foco em plantas de sementes, fábricas e centros de distribuição. O CFO destacou que o modelo facilita escalar novas culturas com menor capital.
Divergência de temas: novas frentes e operações internacionais
A Boa Safra investe na Nigéria sem aportar recursos iniciais, via parceria que prevê construção de uma planta local e participação acionária de 20%, podendo chegar a 40%. A expectativa é que os frutos comecem a ser colhidos em 2027, após cerca de três anos de maturação operacional.
O acordo com a Syngenta marca o vetor de curto prazo para o milho no Brasil. A parceria envolve unidades industriais para produção de sementes híbridas, com operação plena a partir do próximo ano. A empresa vislumbra dobrar o volume de milho no país com esse esforço.
Indicadores financeiros recentes
Em 2025, a Boa Safra registrou receita líquida de R$ 2,6 bilhões, alta de 42% ante 2024, porém com queda de rentabilidade: o EBITDA caiu, e a margem caiu para 5%. O lucro líquido sofreu queda anual de 37%. O endividamento bruto chegou a R$ 1,3 bilhão, com caixa de cerca de R$ 1,1 bilhão.
A dívida tem maior peso no longo prazo, com apenas 5% no curto prazo. A gestão aponta ambiente de margens mais apertadas e ciclos agrícolas como fatores para essa dinâmica, além de impactos climáticos e descartes de sementes na operação recente.
Observações sobre o cenário e projeções
Segundo os executivos, o momento de recuperação do milho cria uma janela favorável para ampliar a atuação da Boa Safra. Mesmo assim, a empresa adota cautela na expansão, avaliando o momento adequado de mercado para novas negociações e investimentos. A companhia não descarta novas parcerias conforme o progresso das frentes atuais.
A ação da Boa Safra encerrou o dia próximo da estabilidade, com queda acumulada no ano. A empresa reforça o foco em eficiência, capital de giro e diversificação para atravessar ciclos agrícolas e manter o ritmo de crescimento no longo prazo.
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