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Economia da longevidade: impactos no mercado e políticas públicas

Brasil se aproxima de marco demográfico: em 2029, mais idosos que crianças; pauta é investir na requalificação e na economia da longevidade para manter produtividade

Elide Elisa Rodrigues Luccas, 72, trabalha no ateliê de sua casa no Butantã, zona oeste de São Paulo - Mathilde Missioneiro - 26.out.2023/Folhapress
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  • Brasil deverá ter mais idosos (60 anos ou mais) do que crianças até 14 anos em 2029, com 40,1 milhões de pessoas acima da idade infantil, segundo o IBGE.
  • O Censo de 2022 mostrou já essa tendência em algumas regiões: no Rio Grande do Sul havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de Janeiro, 106 para 100.
  • Entre as capitais, cerca de cinquenta e cinco por cento já tinham mais idosos do que jovens; Porto Alegre era a mais envelhecida entre as capitais.
  • A idade mediana subiu de 18 anos em 1950 para 34 em 2022 e deve chegar a 49 anos em 2072, quando a razão entre idosos e jovens pode chegar a 317 para 100.
  • Além do desafio fiscal do envelhecimento, o texto aponta duas janelas estratégicas: o segundo bônus demográfico (produtividade, com educação, saúde, ciência e infraestrutura) e o terceiro bônus (longevidade saudável, com maior autonomia e participação produtiva dos idosos).

O Brasil está próximo de um marco demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais pessoas com 60 anos ou mais do que crianças de zero a 14. Projeções do IBGE indicam 40,1 milhões de idosos em 2029, ante 39,2 milhões de jovens. A transição já oscilou regionalmente, segundo dados do país.

O Censo Demográfico de 2022 mostrou sinais da mudança: no Rio Grande do Sul, 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de Janeiro, 106 para 100. Entre as capitais, 55% já tinham mais idosos do que jovens. Porto Alegre era a mais envelhecida, com 137 para 100; São Paulo, 103 para 100.

A idade mediana brasileira subiu de 18 anos em 1950 para 34 em 2022 e pode chegar a 49 em 2072, quando o Brasil completa 250 anos da Independência. A relação idosos/jovens pode atingir 317 para 100, apontando para uma sociedade cada vez mais centrada na longevidade.

Duas janelas de oportunidade

O esgotamento do primeiro bônus demográfico apresenta riscos de crise fiscal e estagnação caso haja visão estática sobre as faixas etárias. Mudanças no ciclo de vida, com menos jovens e mais idosos ativos, são indicadas para sustentar a economia.

Produtividade e educação como alavancas

O segundo bônus, a produtividade, depende de investimentos contínuos em educação, saúde, ciência e infraestrutura. Esses fatores aumentam a eficiência do trabalho, compensando a redução de trabalhadores ativos.

Longevidade como horizonte estratégico

O terceiro bônus envolve ampliar vidas saudáveis e ativas. Com organização social adequada, idosos podem continuar contribuindo com experiência e capacidades produtivas, fortalecendo o capital humano ao longo de toda a vida. O debate científico sugere abandonar a ideia de uma “sociedade que envelhece” para apostar numa “sociedade da longevidade”.

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