- A IFI estima que o conflito no Oriente Médio pode elevar a inflação medida pelo IPCA em 2026 entre 0,7 e 1 ponto percentual, e between 0,2 e 0,5 p.p. em 2027.
- Em 2026, há a hipótese de reajuste da gasolina, hipótese não levada para 2027; os cenários dependem do preço médio do Brent: 86,90 dólares em 2026 e 74,00 em 2027 (cenário baixos) ou 96,80 dólares em 2026 e 107,90 em 2027 (cenário de persistência).
- A IFI aponta que cada alta de 10% no Brent está associada a cerca de 0,2 p.p. a mais no IPCA, mas o repasse aos preços domésticos e medidas de estabilização podem alterar esse efeito.
- Do lado fiscal, petróleo mais caro tende a aumentar as receitas federais no curto prazo, com ganhos estimados em receitas administradas e no Regime Geral de Previdência Social sob diferentes cenários de Brent.
- Medidas anunciadas pelo governo para conter os efeitos do conflito podem gerar impacto positivo no resultado primário em 2026, com maior incerteza para 2027; há avaliação de que o choque pode reduzir o crescimento real da economia.
O conflito no Oriente Médio pode elevar a inflação brasileira. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, estima um impacto de 0,7 a 1 ponto percentual no IPCA de 2026, e de 0,2 a 0,5 p.p. em 2027. O cenário depende do preço do petróleo Brent.
Para 2026, a IFI aponta dois caminhos. Em cenário mais contido, o Brent fica em média US$ 86,90 e o IPCA sobe menos. Em cenário de persistência, com Brent em US$ 96,80, o efeito inflacionário é maior e há impactos adicionais sobre a curva de preços domésticos.
Segundo a IFI, cada alta de 10% no preço do Brent tende a empurrar o IPCA em cerca de 0,2 p.p., mas esse repasse pode variar conforme moderação ou aceleração dos preços internos e medidas de estabilização. O relatório de acompanhamento fiscal foi divulgado em abril.
Os efeitos no crescimento econômico são assimétricos. Em cenário de maior persistência do choque, o crise pode reduzir o dinamismo global, elevando inflação e freando o crescimento, o que agrava riscos macroeconômicos. A IFI descreve esse cenário no RAF.
Quanto aos efeitos fiscais, o petróleo mais caro tende a aumentar a arrecadação federal no curto prazo, tanto pelos tributos diretos sobre a exploração quanto pela inflação que amplia a base de incidência de tributos. Esses ganhos impactariam o RGPS.
Em 2026, com Brent entre US$ 86,90 e US$ 96,80, a IFI estima ganhos de receitas administradas entre R$ 25,9 bilhões e R$ 56,9 bilhões, respectivamente. A arrecadação líquida do RGPS poderia chegar a R$ 6,6 bilhões a R$ 14 bilhões no mesmo comparativo.
Para 2027, os números sob o Brent mais baixo indicam ganhos menores, mas ainda positivos. No cenário de preço alto, as projeções são maiores, com ganhos superiores a R$ 16 bilhões em RGPS e nas receitas administradas, conforme o relatório da IFI.
A IFI ainda avalia o impacto líquido das medidas do governo para conter efeitos da guerra sobre o resultado primário. Subvenções e compensações podem, em 2026, melhorar o resultado em R$ 2,5 bilhões a R$ 4,2 bilhões, dependendo do cenário. Em 2027, há maior incerteza.
O relatório destaca que o choque pode reduzir o crescimento real da economia caso o petróleo permaneça em patamares elevados por mais tempo, o que afetaria a trajetória da dívida/PIB e o equilíbrio fiscal no médio prazo.
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