- Entre março de 2025 e março de 2026, o IPCA subiu 4,14%, enquanto carne avançou 5,68% e cerveja, 6,06%, elevando o custo do “kit churrasco”.
- A carne sofreu com estiagem nas pastagens, aumento de custos de produção (como ração) e valorização do dólar, que estimula exportações e encarece o mercado interno.
- A cerveja subiu devido a custos de produção, como alumínio nas embalagens, além de variações nos insumos agrícolas, com pressão adicional de oferta global.
- O dólar mais alto e gargalos nas cadeias produtivas ajudam a manter a inflação desses itens acima do IPCA, mesmo com desempenho misto em outros setores.
- Mercados e balanços da indústria de bebidas e carnes refletem o desafio de repassar custos aos consumidores, com impactos também para exportadores e frigoríficos.
A inflação do kit churrasco pesou mais no bolso do consumidor brasileiro nos últimos 12 meses, superando o IPCA. Entre março de 2025 e março de 2026, o IPCA atingiu 4,14%, enquanto carnes subiram 5,68% e cerveja, 6,06%. O recorte mostra que o custo de itens como carne e bebidas ficou acima da média de preços.
Segundo o IBGE, o movimento reflete gargalos nas cadeias produtivas dos setores. A alta resulta de fatores como estiagens, variação cambial e custos de insumos. A cerveja sofre com custos de produção e com oferta de insumos agrícolas, ainda que ocorram oscilações globais na oferta de alumínio. A carne é afetada pela seca em pastagens, aumento de ração e pela valorização do dólar, que eleva exportações e encarece o mercado interno.
A análise do curto e do longo prazo indica que a carne já apresentou variações superiores ao IPCA em anos anteriores, com picos de 21,17% em 12 meses até janeiro de 2025. A estiagem de 2024 intensificou o cenário de alta no início de 2025, mantendo pressões sobre o setor. Janeiro de 2024 registrou deflação por maior oferta decorrente do abate de matrizes.
A cerveja tem sido responsável por fora do IPCA há mais tempo. Em 12 meses até janeiro de 2026, o item ficou 5,39% acima do índice geral, com tendências de continuidade em 2025 e 2023, quando registrou variações expressivas frente ao IPCA.
Impacto nas empresas e na Bolsa
Diretor da CervBrasil aponta que, em uma década, a inflação da cerveja ficou cerca de 4% abaixo do índice geral, e a competição impede repasses integrais de custos aos consumidores. Balanços de grandes companhias já sinalizam efeitos da curva inflacionária.
A Ambev divulgou queda de 4,5% no volume total de cerveja vendida no Brasil em 2025, atribuindo ao clima adverso e ao ambiente de consumo mais desafiador. A Heineken também relatou recuo similar, com ajustes de estoques nos pontos de venda.
Frigoríficos enfrentam dilema entre mercado interno e外-terno. O setor registra pressão de custos com pastagem e boi gordo, pese ao ganho agregado pela demanda externa com o dólar valorizado. A estratégia tem sido manter margens por meio de marcas premium.
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