- O setor de máquinas agrícolas apresenta quatro anos seguidos de retração nas vendas, mesmo com o agro estável e produtivo.
- Em 2025, foram vendidas 49,8 mil unidades, queda de 3,6% ante 2024.
- O principal problema não é a produção, mas custos elevados e juros altos que adiam investimentos.
- Máquinas de maior investimento, como colheitadeiras e tratores potentes, caíram 22,1%, enquanto tratores menores recuaram 2,1%.
- As importações crescem 17% e já representam maior participação no mercado, levando o Brasil a déficit na balança do setor pela segunda ano seguido, com Índia e China liderando as importações.
O setor de máquinas agrícolas brasileiro deve enfrentar novas perdas após quatro anos de queda nas vendas. A Anfavea projeta recuo de 6,2% em 2026, influenciado por juros altos e entrada crescente de importações. O agronegócio, porém, segue estável e produtivo.
Dados de 2025 mostram venda de cerca de 49,8 mil unidades, queda de 3,6% frente a 2024. O recorte revela uma tendência de desaceleração no segmento de equipamentos para cultivo e colheita, mesmo com desempenho positivo da produção rural.
Investir em tecnologia não é suficiente para compensar pressões de custo. Produtores enfrentam custos de produção elevados e juros altos, o que reduz o espaço para compra de equipamentos de alto valor. A prioridade atual é preservar caixa.
“Juros elevados afetam diretamente o setor de máquinas agrícolas”, afirma Igor Calvet, destacando a necessidade de instrumentos de financiamento estáveis, como o Plano Safra e linhas do BNDES. O cenário aponta para maior cautela de investimento.
Equipamentos de maior investimento registraram quedas mais acentuadas. Colheitadeiras e tratores de alta potência caíram 22,1% em relação a 2024, segundo dados da Anfavea. Tratores menores tiveram recuo menor, de 2,1%, puxados pela agricultura familiar.
A importação cresce e preocupa o equilíbrio do setor. Em 2025, as importações aumentaram 17% ante 2024, com máquinas da China e da Índia oferecendo preços até 20% inferiores aos nacionais. A prática tende a puxar as opções de aquisição para modelos mais baratos.
A balança comercial do setor segue deficitária pelo segundo ano consecutivo. A participação de fornecedores asiáticos aumenta, com Índia e China liderando as importações. O mercado interno observa esse movimento como desafio à indústria local.
Perspectivas para 2026
As projeções indicam continuidade da pressão sobre as vendas, expansão das importações e dificuldade para fabricantes nacionais. A Anfavea estima queda de 6,2% nas vendas de máquinas agrícolas no próximo ano, sem sinalização de mudança estrutural.
Sem redução de custos de crédito ou políticas de incentivo mais vigorosas, o cenário deve permanecer desfavorável. O conjunto de fatores aponta para um ciclo de ajuste nos investimentos de aquisição de máquinas no país.
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