- Em 2025 o Brasil tinha mais de setenta e nove milhões de domicílios, segundo a PNAD Contínua do IBGE.
- Em 2025, 23,8% dos domicílios eram alugados (18,9 milhões), aumento de 54,1% em nove anos, frente a 2016.
- A participação de moradias próprias quitadas caiu de 66,8% para 60,2% no mesmo período; imóveis próprios ainda em pagamento passaram de 6,2% para 6,8%, com crescimento no último ano.
- O crédito imobiliário ficou mais caro com a Selic em quinze por cento ao ano em meados de 2025, levando famílias a adiar a compra e ampliar o aluguel.
- A verticalização avança nas capitais, com participação de apartamentos acima de cinquenta por cento em cidades como Porto Alegre (52,1%), Vitória (49,9%) e Belo Horizonte (45,1%); Palmas aparece na liderança de aluguéis, com 47,3% dos domicílios alugados.
O Brasil ultrapassou 79 milhões de domicílios em 2025, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O estudo mostra mudança no perfil de ocupação: menos casas próprias quitadas, mais imóveis alugados e maior participação de apartamentos nas capitais.
O aluguel cresceu significativamente nos últimos anos. Em 2025, 23,8% dos domicílios eram alugados (18,9 milhões), ante 18,4% (12,3 milhões) em 2016. O número de imóveis alugados aumentou 54,1% no período de nove anos.
Ao mesmo tempo, a participação de moradias próprias já quitadas caiu de 66,8% para 60,2%. Moradias em negociação, com financiamento, avançaram de 6,2% para 6,8% entre 2016 e 2025, com alta de 15,9% entre 2024 e 2025, indicando maior endividamento.
O crédito imobiliário ficou mais caro com a Selic em 15% ao ano em meados de 2025, o que dificultou o acesso à casa própria. Muitas famílias adiando a compra contribuíram para a expansão do aluguel e a redução de imóveis quitados.
Aluguel avança nas capitais
Em 2025, capitais já tinham parcelas expressivas de domicílios alugados. Palmas liderava com 47,3%, seguida por Florianópolis (36%), Goiânia (35,3%) e Brasília (34,5%).
Nas grandes cidades, o aluguel também ganhou espaço. São Paulo passou de 26,4% (2016) para 29,9% (2025). Rio de Janeiro subiu de 20,3% para 28,2%. Belo Horizonte teve alta maior, de 19,5% para 29,6%.
Mesmo cidades com maior presença de casa própria registraram crescimento do aluguel. Belém mostrou salto de 11,1% para 21,2% em nove anos.
Os economistas destacam que o aumento do aluguel está associado à concentração de patrimônio imobiliário. Parte relevante dos novos apartamentos não é ocupada pelos donos, mas destinada à locação.
Entre os entrevistados, Kratochwill aponta que muitos imóveis recém-construídos pertencem a indivíduos que não os utilizam como moradia, mas os alugam a terceiros.
A verticalização e o perfil das capitais
A verticalização ampliou o peso dos apartamentos, especialmente nas capitais. Em 2025, Porto Alegre tinha 52,1% de apartamentos; Vitória, 49,9%; Belo Horizonte, 45,1%.
Hub de mudanças, João Pessoa saltou de 30% para 45,9% de apartamentos. Aracaju cresceu de 26,8% para 39,6%; Brasília passou de 26,7% para 38,5%.
Mesmo cidades com mais casas, como Manaus (18,8% para 24,5%) e Fortaleza (21,8% para 25,9%), registraram avanço dos apartamentos. Em algumas capitais, a logística da verticalização ainda é lenta: Campo Grande mantém 9,8%, Porto Velho 13% e Rio Branco 13,2%.
A PNAD Contínua também aponta que a parcela de moradores que vivem em apartamentos no Brasil passou de 11,6% em 2016 para 15% em 2025, com variações regionais acentuadas.
Segundo o analista, a expansão de áreas urbanas com edifícios tende a concentrar moradias em espaços limitados, elevando a rentabilidade de empreendimentos para incorporadoras e fortalecendo o mercado de locação.
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