- O FMI diz que a guerra entre EUA/Israel e Irã beneficia Brasil e outros exportadores de energia com a alta dos preços, mas eleva a inflação na região.
- Para 2026, o FMI revisou o PIB brasileiro para cima, de 1,6% para 1,9%, apontando efeito líquido positivo das exportações de petróleo; a inflação é prevista em 4,3%.
- O FMI classifica os países da região em dois grupos: exportadores de energia aparecem com ganhos, enquanto importadores sofrem com impactos de custos elevados.
- A inflação deve subir de forma generalizada na região, principalmente por custos de combustível, transporte e alimentos.
- O relatório destaca que o Brasil tem boa participação de energia renovável, o que ajuda a mitigar impactos, e projeta alta do PIB de 2027 em 2,0%, com inflação mais contida nessa linha do tempo.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã tem efeito duplo sobre a economia da América do Norte e da América Latina. Segundo o FMI, o conflito elevou os preços globais de petróleo e gás, beneficiando exportadores de energia como o Brasil, mas pressionando a inflação na região.
O FMI revisou suas perspectivas no relatório Panorama Econômico Mundial, divulgado nesta semana. Para o Brasil, houve aumento da projeção de crescimento do PIB de 1,6% para 1,9% em 2026, puxado pela melhora nas exportações de petróleo. A inflação prevista subiu de 4,0% para 4,3%.
Segundo Nigel Chalk, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, a região se divide entre exportadores de energia, que ganham com altas de commodities, e importadores, que sofrem com custos maiores. Países como Canadá, Colômbia, Equador, Guiana, Venezuela e EUA aparecem no grupo dos exportadores.
Para as economias importadoras, o FMI alerta que a alta de energia eleva custos de consumo, transporte e alimentos. Economias do Caribe, com dívida elevada, e a América Central, com espaço fiscal restrito, devem sentir impactos mais intensos. A inflação tende a subir de forma generalizada.
Impactos regionais e Brasil
Apesar do efeito inflacionário, a discussão sobre o Brasil aponta ganhos na atividade externa. O FMI cita o desempenho robusto do País no segundo semestre de 2023 e no início de 2024 como fator de suporte, ampliando o impulso para 2026. Também destaca a relevância de uma matriz energética com maior participação de renováveis.
No Brasil, a inflação projetada pelo FMI é superior às estimativas de economistas ouvidas pelo Banco Central. Enquanto o FMI projeta 4,3%, o Focus aponta 4,71% para 2024. O governo mantém previsão de IPCA em torno de 3,7%.
Sobre o PIB, a previsão de 1,9% para 2026 do FMI está alinhada à expectativa de mercado, que aponta 1,85% de alta. O governo federal revisou as projeções para cima, para cerca de 2,3%, em estimativas anteriores.
Petya Koeva Brooks, diretora-adjunta do Departamento de Pesquisa do FMI, afirma que o ambiente externo, aliado ao desempenho recente do Brasil, explica a revisão positiva para 2026. Ela ressalta que a participação de renováveis funciona como mitigação adicional.
Para 2027, o FMI estima crescimento de 2,0% para o Brasil, com desaceleração da inflação para cerca de 3%. A previsibilidade é vista como desafio decorrente da incerteza do conflito no Oriente Médio.
Chalk não emite recomendações específicas ao Brasil, mas aponta que manter inflação ancorada, planos fiscais críveis e baixos níveis de endividamento ajudam a enfrentar choques externos. Ele destaca ainda a necessidade de proteção a famílias, agricultores e empresas frente aos preços.
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