- Japão extrai sedimentos com terras raras a seis mil metros de profundidade próximo a Minamitorishima, em operação inédita com o navio de perfuração profundo Chikyu.
- Resultados iniciais indicam avanço na avaliação da quantidade e da qualidade dos elementos, que são cruciais para tecnologias avançadas.
- A descoberta reforça a estratégia japonesa de reduzir a dependência da China no setor de terras raras, considerado essencial para economia e defesa.
- Desde a crise de dois mil e dez, o Japão diversificou fornecedores, criou reservas estratégicas e investiu em materiais alternativos, reduzindo a dependência para cerca de cinquenta por cento.
- A cooperação com os Estados Unidos, prevista no Tokyo Framework, envolve investimentos e apoio tecnológico para exploração prevista para dois mil e vinte e seis, visando assegurar fornecimentos estáveis.
A equipe de pesquisadores japoneses realizou uma operação inédita a 6 mil metros de profundidade no Pacífico, extraindo sedimentos com terras raras de um depósito submarino recém identificado. O empreendimento foi feito a partir do Ativo Minamitorishima, com o apoio do navio de perfuração profundo Chikyu. O objetivo é avaliar a viabilidade econômica e tecnológica da exploração, visando reduzir a dependência de fornecedores externos.
O material coletado pode conter elementos como disprósio e itrio, estratégicos para magnetos de veículos elétricos e defesa. Estima-se que a área ao redor de Minamitorishima tenha reservas que poderiam durar centenas de anos, com projeções que chegam a milhões de toneladas. A avaliação completa depende de análises adicionais sobre qualidade e quantidade.
Desde 2010, Japão busca diversificar fontes de terras raras depois de um embargo chinês que quase interrompeu importações. A crise expôs vulnerabilidades da indústria japonesa, impulsionando investimentos em reciclagem, materiais alternativos e parcerias no exterior. A estratégia passa também pela criação de estoques estratégicos.
Contexto estratégico
Especialistas destacam que o depósito submarino representa uma mudança de cenário, reforçando a posição japonesa na cadeia global de terras raras. A importância se acentua diante da dominância da China na refinação de materiais críticos, sobretudo das chamadas terras gravosas.
A cooperação com os Estados Unidos, formalizada na Tokyo Framework, prevê investimentos conjuntos e mecanismos de coordenação para manter abastecimento estável. Washington deve apoiar financeiramente e tecnicamente operações previstas para 2026, com acesso privilegiado aos recursos.
Implicações e próximos passos
Se a exploração for economicamente viável e ambientalmente sustentável, o Japão poderá reduzir ainda mais a dependência de importações chinesas. O governo japonês sinalizou que continuará avaliando resultados técnicos, custos de operação e impactos ambientais antes de qualquer decisão de escala.
Analistas ressaltam que, mesmo com avanços, a dependência não será eliminada de imediato, pois a China ainda domina a refinação de terras raras. A tendência é de uma redução gradual da vulnerabilidade, com maior resiliência de cadeias produtivas estratégicas do país.
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