- Até 14 de abril, a bolsa brasileira recebeu quase R$ 69 bilhões em aportes líquidos estrangeiros, com mais de R$ 15 bilhões nos últimos cinco pregões.
- o principal motivo é o espaço para queda da Selic no Brasil, com analistas apontando “gordura” para cortes após um ciclo de 15% ao ano, ainda que o ritmo tenha ficado mais contido pela guerra.
- do início da crise no Golfo até 9 de abril, o MSCI Brasil subiu mais de 14%, destacando-se como a carteira emergente que mais se recuperou nesse período.
- o fluxo externo é puxado por ações de grandes empresas (Petrobras, Vale) e por ETFs ligados a mercados emergentes, com os estrangeiros respondendo por a maior parte do volume na B3.
- a concentração de recursos em blue chips explica a performance desigual com as small caps, que ficaram para trás neste ano.
Em meio à guerra no Golfo Pérsico, a bolsa brasileira tem se mantido em patamar recorde, acompanhando a volatilidade global. O Ibovespa tem puxado por fluxos estrangeiros, que, até 14 de abril, registraram o maior volume líquido da história para o período, próximo de 69 bilhões de reais, com mais de 15 bilhões nos últimos cinco pregões.
Analistas apontam um mosaico de fatores para esse movimento, entre eles a perspectiva de cortes de juros no Brasil. O mercado observa que o país tem espaço para reduzir a Selic, após um período de juros elevados, cenário menos comum entre pares internacionais.
Essa dinâmica ocorre num contexto em que investidores globais estavam superalocados na renda variável dos EUA, elevando a atratividade relativa de emergentes. Dados de janeiro a março mostram forte entrada externa no Brasil, mesmo diante do conflito geopolítico.
Mudança de cenário no Golfo Pérsico
Observa-se sinalização de possível acordo diplomático entre EUA e Irã, o que pode favorecer uma trajetória de cortes adicionais na Selic no Brasil, ainda que de forma gradual. Essa expectativa de alívio nas taxas tem alimentado o apetite por risco e aumentado a visão de ganhos corporativos com menor custo de dívida.
A partir de março, o fluxo externo ganhou fôlego após sinais de busca por negociação, mantendo o Brasil como destaque entre emergentes. Entre 23 de março e 9 de abril, o MSCI Brasil registrou alta expressiva em meio ao recuo de volatilidade global.
Configurações do fluxo externo
Especialistas explicam que cinco pilares sustentam o fluxo estrangeiro: perspectiva de flexibilização monetária, atratividade estrutural, papel da América Latina como porto seguro, avaliação de valuation e leitura política do Brasil. Hoje, estrangeiros respondem por cerca de 62% do volume diário da B3, frente a 51% há cinco anos.
Gestores destacam que ativos reais da região, como energia, saneamento e commodities, são menos suscetíveis a impactos da IA, fortalecendo o papel da América Latina como alternativa de investimento. No Brasil, a presença de reservas de terras raras e uma balança petrolífera favorável são argumentos a favor da atratividade externa.
No curto prazo, o desafio envolve a capacidade de absorção de fluxos pelos ativos brasileiros sem criar distorções, dada a menor liquidez da B3 e o peso concentrado de grandes empresas. Mesmo assim, a leitura de que o país oferece boa relação risco-retorno permanece entre analistas.
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