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Reabertura do Estreito de Ormuz e queda do petróleo podem afetar o Brasil

Queda de aproximadamente dez por cento no Brent, com a reabertura do Estreito de Ormuz, pode atenuar o encarecimento de combustíveis no Brasil, sujeita à implementação de subsídios

Irã anuncia reabertura do Estreito de Ormuz durante cessar-fogo
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  • O petróleo Brent caiu cerca de 10% nesta sexta-feira, para US$ 89,43 o barril, após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo com os Estados Unidos.
  • O Estreito de Ormuz responde por cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito no mundo; o Irã afirmou que a passagem de embarcações está plenamente aberta pelo restante do cessar-fogo.
  • No Brasil, a recuperação do cenário internacional pode favorecer o mercado interno, enquanto o governo mantém e amplia medidas para conter o alto preço de combustíveis, incluindo subsídio ao diesel e incentivos ao querosene de aviação.
  • O diesel preocupa o governo, que já informou R$ 30 bilhões em ações para reduzir o encarecimento, com subsídio por litro e isenção de impostos para o QAV em vigor, mas a implementação depende da adesão de grandes empresas.
  • Segundo o BTG Pactual, a alta recente do petróleo pode, a longo prazo, melhorar a balança comercial e as contas externas do Brasil, caso o Brent permaneça próximo de US$ 100 por barril.

O Brent abriu a sessão desta sexta-feira em queda após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo com os Estados Unidos. A medida levou o petróleo a recuar cerca de 10% e a atestar US$ 89,43 o barril.

O recuo ocorreu globalmente, mesmo com o estreito sendo uma rota que representa cerca de 20% do petróleo e do GNL do mundo. O anúncio ocorreu após o Irã ter fechado o canal por semanas em resposta a ataques de EUA e Israel.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o estreito ficará aberto pelo restante do cessar-fogo, segundo comunicado divulgado no X. A fala reforça a expectativa de normalização de tráfego marítimo na região.

No Brasil, a queda global do petróleo pode reduzir a pressão sobre os combustíveis nas bombas. O governo já havia anunciado, em março, um pacote de medidas para conter o encarecimento, incluindo subsídios e redução de impostos.

Os impactos principais envolvem o diesel, que alimenta o transporte de mercadorias e a safra agrícola. O governo destinou 30 bilhões de reais para mitigar o aumento, com subsídio que chegou a 1,12 real por litro produzido ou importado, ampliando ações em abril.

Empresas do setor ainda enfrentam entraves para adesão rápida ao pacote. Ipiranga e Raízen não aderiram na etapa inicial, em razão de limites de preços impostos pela ANP. A Vibra só decidiu entrar no programa em 9 de abril.

A possível queda dos preços pode levar semanas para chegar aos consumidores, devido à implementação gradual das medidas. Enquanto isso, a bolsa e o real reagiram positivamente ao alívio de risco, com o dólar em queda nesta manhã.

Segundo estudo do BTG Pactual, nos últimos 10 anos o efeito do preço do petróleo sobre o Brasil mudou. Hoje, o país tem saldo de petróleo e derivados positivo e os choques no Brent tendem a favorecer as contas externas.

O relatório aponta que, se o Brent se mantiver próximo de 100 dólares até o fim do próximo ano, o saldo da balança comercial pode ficar em torno de 93 bilhões de dólares. Em cenários de queda rápida, esse saldo cairia para cerca de 80 bilhões.

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