- Em 2026, Amadeus foi a pior ação do Ibex 35, com queda de cerca de 13% devido ao receio de que a IA afete o setor de turismo, apesar do rebaixamento recente ter sido revertido para cima.
- Analistas consideram o modelo de negócio da empresa resistente, destacando que ela não é apenas uma plataforma de reservas, mas um motor central do sistema turístico global, com forte presença em reservas aéreas e gestão tecnológica.
- Amadeus representa aproximadamente oitenta por cento da sua receita entre reservas aéreas/gestão tecnológica e serviço ao setor hoteleiro, áreas consideradas difíceis de serem substituídas por soluções de IA.
- UBS aponta que replicar o modelo de Amadeus exigiria acordos bilaterais com várias operadoras, tornando o negócio menos suscetível à disintermediação impulsionada pela IA.
- A empresa mantém expectativa de crescimento e tem espaço para recompras de ações, além de uma política de dividendos que deve sustentar o retorno aos acionistas, conforme avaliações de analistas.
Amadeus caiu 13% em 2026 e terminou como o pior valor do Ibex 35, pressionada pela avaliação de que a IA pode impactar o setor de turismo. Mesmo com o recuo, analistas destacam a robustez do modelo de negócio da empresa, não sendo apenas uma plataforma de reservas.
A fabricante de software para viagens opera como motor do sistema turístico global, atendendo mais de 200 companhias aéreas e aeroportos. Suas três áreas principais somam quase 80% da receita, segundo relatórios de mercado.
Analistas do Sabadell afirmam que a posição competitiva da Amadeus é sólida para enfrentar a transformação tecnológica, dada a sua integração, dados e escala. A visão é de que a empresa continuará relevante no ecossistema de viagens.
Beatriz Rodríguez, da Bestinver, aponta crescimento sólido e perspectiva positiva até 2028, com estimativas de expansão entre 7% e 10% para vendas, EBITDA e lucro por ação, ainda que sujeitas a volatilidade macro e câmbio.
A avaliação recente levou ações da Amadeus a mínimos próximos a setembro de 2022. Contudo, o sentimento majoritário entre analistas é de que o preço atual representa uma oportunidade de entrada, com grande parte recomendando compra.
CaixaBank aponta preço-alvo de cerca de 81,5 euros, sugerindo potencial de valorização superior a 50%. O banco destaca o desconto histórico da empresa frente a pares de software europeu e viagens.
Entre os argumentos de otimismo estão a avaliação negativa moderada e o múltiplo PER próximo de 15x, considerado baixo para o setor, segundo UBS. O banco também vê potencial de alinhamento com companhias de software de crescimento.
Renta 4 reforça a tese de que a forte queda recente oferece oportunidade, mas alerta para a incerteza provocada pela IA e pela situação geopolítica. JP Morgan também vê bom posicionamento de mercado, com quota acima de 40%.
A Amadeus mantém diversificação em hotéis e gestão de pagamentos, o que ajuda a reduzir dependência de reservas aéreas. O analista do Sabadell ressalta a capacidade de aquisições como motor de crescimento.
A empresa também tem planos de recompras de ações e dividendos, com a dívida em torno de 0,9 vez o EBITDA. Com cenário de menor endividamento, a gestão pode ampliar o programa de recompra.
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