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Mercado aquecido leva demissões por justa causa a recorde no Brasil

Mercado de trabalho aquecido eleva demissões por justa causa a recorde de 638,7 mil nos 12 meses até dezembro de 2025, com flexibilização de contratação e monitoramento digital

Alta nas demissões por justa causa reflete mercado de trabalho aquecido, mudanças no comportamento de empresas e trabalhadores e influência de programas sociais (Foto: Dall-E/Gazeta do Povo)
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  • 638,7 mil desligamentos por justa causa nos 12 meses até dezembro de 2025, equivalentes a 2,6% do total, o maior nível desde o início da série em 2004.
  • Os dados foram coletados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e analisados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4Intelligence.
  • O movimento é explicado pela demanda por mão de obra elevada, flexibilização de critérios de contratação, monitoramento digital e maior oferta de alternativas autônomas ao emprego formal.
  • A rotatividade também aumenta os pedidos de demissão voluntária: 9 milhões nos 12 meses até dezembro de 2024, alta de 5,9% em relação ao período anterior.
  • O Bolsa Família e outros programas sociais influenciam as decisões de trabalhadores e empresas, levando a recusa de condições consideradas desfavoráveis e a demissões por justa causa em alguns setores, como a fruticultura.

O Brasil registrou o maior número de demissões por justa causa em duas décadas. Nos 12 meses até dezembro de 2025, foram 638,7 mil desligamentos nesse regime, equivalentes a 2,6% do total de desligamentos. A série histórica foi iniciada em 2004 e mostra um crescimento expressivo desde o fim da pandemia.

Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), levantados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4Intelligence. Em 2019, nesse mesmo período, houve 216 mil demissões por justa causa; em 2025, o volume quase triplicou.

Mercado aquecido e mudanças no comportamento de empresas e trabalhadores são apontados como fatores centrais. Especialistas destacam a flexibilização de critérios de contratação diante de uma taxa de desemprego em fevereiro de 5,4%, um dos patamares mais baixos da série histórica.

Flexibilização de contratação e riscos operacionais

Empresas passaram a aceitar perfis menos experientes para atender a demanda. Isso aumenta a probabilidade de erros operacionais e, consequentemente, de demissões por justa causa, segundo Ivandick Rodrigues, professor da Mackenzie.

Do lado dos trabalhadores, a queda do desemprego reduz o efeito dissuasor da demissão. A possibilidade de recolocação rápida encoraja pedidos de demissão voluntária e diminui a aversão ao risco de punições, acrescenta o professor.

Monitoramento e novas causas

O avanço do monitoramento digital amplia a base de justificativas para desligamentos. Horas efetivas de trabalho e uso de redes sociais passaram a subsidiar decisões de demissão por justa causa, segundo Ivandick.

Ele aponta ainda o uso de apostas online durante o expediente como fator agravante, com plataformas que, segundo ele, promovem um sequestro cognitivo dos trabalhadores.

Rotatividade e demanda por mão de obra

Os 12 meses até dezembro mostraram alta na rotatividade, com 9 milhões de pedidos voluntários de desligamento, um aumento de 5,9% frente ao período anterior. O levantamento de Imaizumi indica que mais demissões voluntárias refletem maior absorção de vagas por outras empresas.

A volta ao trabalho presencial é citada como estimulante dessa tendência, somada à entrada da geração Z e à valorização de qualidade de vida, que influenciam decisões de saída.

Bolsa Família e impactos setoriais

Especialistas apontam que a renda de programas como o Bolsa Família contribui para o aumento das demissões por iniciativa do trabalhador, ao reduzir a pressão financeira de manter funções desfavoráveis.

Casos na fruticultura ilustram o problema: produtores de maçã relatam dificuldade em contratar durante a colheita, com receio de perderem o benefício caso ocupem a função. Outros segmentos da indústria de frutas relatam o mesmo cenário.

Atualização de dados aponta que, em fevereiro, nove estados tinham mais famílias beneficiárias do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. Existem 38,6 beneficiários do programa para cada 100 trabalhadores formais, conforme cruzamento entre dados do MDS e do Caged.

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