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Nova proposta aumenta tensão na reestruturação da Raízen

Nova proposta de reestruturação da Raízen aumenta a pressão, com 30% dos recursos da venda na Argentina para amortizar dívida e demanda pela saída de Rubens Ometto do conselho

Raízen
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  • Credores bancários apresentaram nova proposta de reestruturação da Raízen, aumentando a pressão na fase decisiva das negociações para evitar recuperação judicial.
  • A proposta prevê que 30% dos recursos obtidos com a venda de ativos na Argentina sejam usados para amortizar a dívida, além de exigir mudanças na governança.
  • Entre as mudanças, está a saída de Rubens Ometto da presidência do conselho, repetindo demanda já feita por detentores de títulos.
  • A Shell continua como componente central na solução, com aporte confirmado de 3,5 bilhões de reais, e prefere manter a Raízen como operação integrada; a Cosan fica atrás no apoio financeiro.
  • Em março, a Raízen fechou acordo de reestruturação extrajudicial para uma dívida de cerca de 65,1 bilhões de reais, com apoio de credores que representavam 47% da dívida sem garantia e prazo de 90 dias para adesão adicional.

Os credores bancários da Raízen apresentaram uma nova proposta de reestruturação financeira à empresa, aumentando a pressão em uma fase decisiva das negociações. O objetivo é evitar que a crise de capital leve a uma recuperação judicial.

Segundo a Bloomberg, o plano prevê que 30% dos recursos obtidos com a venda de ativos na Argentina sejam usados para amortizar a dívida. Além disso, os bancos querem mudanças na governança da companhia, incluindo a saída de Rubens Ometto da presidência do conselho.

Rubens Ometto permanece sob escrutínio de credores e detentores de títulos, que já tinham solicitado a sua saída. A exigência se junta a outras demandas por reformas no comando da Raízen, conforme o debate sobre o controle da gestão.

Reestruturação entra em nova etapa

A nova investida ocorre após uma sequência de tentativas para reorganizar o capital da empresa. Em março, a Raízen fechou acordo de reestruturação extrajudicial para uma dívida de cerca de R$ 65,1 bilhões, considerado o maior desse tipo no Brasil, segundo a Reuters.

Naquele mês, a empresa informou ter apoio de credores que representam 47% da dívida sem garantia. O plano abriu um prazo de 90 dias para adesão mais ampla, e as conversas se intensificaram desde então.

Ao mesmo tempo, diferentes grupos apresentaram propostas próprias, envolvendo capitalização, conversão de dívida em ações e mudanças na gestão. A reestruturação ganhou complexidade e deixou de depender apenas de caixa.

Desinvestimentos ganham peso

A proposta coloca 30% dos recursos da venda de ativos argentinos no pagamento da dívida, reforçando a ideia de desalavancagem imediata. Dessa forma, parte do caixa entraria rapidamente no balanço da empresa.

A Raízen já sinalizava que a saída da crise poderia passar por venda de ativos, emissão de novas dívidas ou conversão de créditos em ações. A destinação explícita de parte desses recursos marca um novo patamar no debate.

Influência de Shell e Cosan

A Shell mantém papel central no processo, com apoio explícito ao plano de estabilização e interesse em manter a Raízen integrada. Em março, a Shell confirmou aporte de R$ 3,5 bilhões.

A Cosan, controladora da joint venture com a Shell, não tem mostrado o mesmo ritmo financeiro, o que alimenta leituras de avanço maior da Shell caso a reestruturação evolua com conversões de dívida em ações.

Crise operacional explica a urgência

A queda de desempenho não se deve a um único fator. A Raízen enfrenta juros elevados, investimentos pesados e retorno abaixo do esperado, agravados por problemas operacionais como clima adverso, incêndios e impactos na safra.

Em fevereiro, a empresa divulgou alerta sobre “incerteza significativa” na continuidade das operações, elevando a pressão sobre credores e parceiros. Desde então, a busca por uma solução acelerou.

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