- Cerca de 35 idosos são alvos diários da oferta abusiva de crédito em 2025, segundo levantamento do Idec a pedido do R7 Planalto.
- Ao todo, 13.081 pessoas entre 60 e 70 anos denunciaram a prática no Consumidor.gov no ano passado.
- O recorde ocorreu em 2021, com 28 mil notificações; em 2024 houve queda para 5,9 mil e, em 2025, as denúncias voltaram a crescer.
- A explicação para o aumento envolve vulnerabilidade durante a pandemia e escândalos recentes, como o INSS, aliado a denúncias de consignados.
- Medidas de proteção incluem não aceitar ofertas por telefone, não fornecer dados, exigir contrato detalhado e acompanhar atendimentos; em caso de fraude, contatar o banco, o Procon e buscar orientação jurídica.
A prática de oferecer crédito de forma abusiva atingiu cerca de 35 idosos por dia em 2025, segundo dados do Idec encomendados pelo R7 Planalto. Ao todo, 13.081 pessoas entre 60 e 70 anos denunciaram esse tipo de abordagem no Consumidor.gov no ano passado. O registro expõe uma tendência de alta após queda em 2024.
O levantamento aponta que o recorde de oito anos ocorreu em 2021, com 28 mil casos notificadas. Em 2024, as denúncias haviam diminuído para 5,9 mil, mas voltaram a crescer em 2025, gerando preocupação entre especialistas e órgãos de defesa do consumidor.
Para o Idec, o aumento em 2025 pode estar ligado a episódios recentes envolvendo o INSS e denúncias de consignados, que elevaram o escrutínio sobre propostas de crédito oferecidas sem consentimento. A instituição ressalta a importância de orientação para o público idoso.
A advogada Marcele Roberta Pizzatto, especialista em Direito Previdenciário e do Consumidor, alerta que crimes financeiros contra idosos ganharam dimensão no país. Segundo ela, a prática viola direitos básicos e envolve juros abusivos, muitas vezes sem autorização expressa.
Entre os fatores de risco identificados está a apresentação de valores “disponíveis” como parte de benefícios, quando na verdade representam linhas de crédito sujeitas a juros. A orientação é clara: nenhuma contratação pode ocorrer sem consentimento explícito.
Como se proteger
Especialistas destacam que a informação é arma de prevenção. O idoso deve desconfiar de valores liberados sem solicitação, principalmente quando apresentados como benefício. Em muitos casos, é essencial entender que se trata de crédito.
Cuidados práticos incluem evitar ofertas por telefone ou mensagens, não fornecer dados pessoais ou bancários, solicitar contrato detalhado e acompanhar atendimentos presenciais com alguém de confiança. O CDC recomenda transparência de informações para evitar abusos.
Caso haja contratação indevida, a orientação é agir rapidamente. O banco deve ser contatado para contestar a operação, e o Procon pode ser acionado. Em muitos procedimentos, a Justiça tem reconhecido a nulidade de contratos e possível devolução de valores, com eventual indenização por danos.
Envolvidos na questão incluem o Idec, o R7 Planalto e advogadas especialistas, que defendem medidas de proteção, educação financeira e mecanismos de denúncia como caminhos para reduzir a ocorrência desse tipo de crime contra idosos.
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