- Hoje, o Brasil registra recorde de inadimplência, com 81,7 milhões de brasileiros com dívidas em atraso e débitos totalizando R$ 539 bilhões em fevereiro, segundo a Serasa.
- O choque é entre a macroeconomia favorável e o aperto financeiro individual, explicado pela combinação de juros altos e alto comprometimento da renda.
- A taxa Selic ficou em quinze por cento ao ano por longos períodos, com queda para 14,75% em de março; o endividamento cresce mesmo com desemprego em queda e renda real em alta.
- O governo prepara o Desenrola dois, programa de renegociação de dívidas, mas especialistas dizem que o efeito tende a ser efêmero se não houver redução estrutural dos juros.
- Estudo do setor mostra que o Desenrola 1 reduziu temporariamente a inadimplência entre famílias de baixa renda, mas o problema voltou a crescer meses depois, mantendo o calote em aberto.
O Brasil registra recorde de inadimplência e de dívidas em patamares elevados. Dados indicam 81,7 milhões de inadimplentes e débitos de R$ 539 bilhões em fevereiro, segundo a Serasa Experian. O cenário ocorre mesmo com desemprego em queda e renda real em alta.
Especialistas apontam que juros elevados explicam parte do problema. A Selic ficou 15% ao ano por longos períodos, com recuo para 14,75% em 18 de março. O alto custo do crédito compromete renda já relevante das famílias.
Panorama da inadimplência
A deterioração do endividamento ocorre em meio a uma economia que cresce e gera empregos, mas com gasto financeiro elevado. A Serasa aponta que o comprometimento de renda atinge níveis preocupantes, acima de 29,3% para a média da população.
Quem ganha até dois salários mínimos está mais vulnerável: conforme dados, 78% dos inadimplentes têm renda de até dois salários. O quadro é agravado pelo peso das contas básicas no orçamento.
Motivos centrais
Segundo especialistas, o serviço da dívida — soma de amortização e juros — cresce mais rápido que a renda. O resultado é maior pressão orçamentária e maior propensão à inadimplência, mesmo com melhora no mercado de trabalho.
Relatos de famílias ilustram o efeito. Uma pedagoga, com renda mensal modesta, viu a dívida no cartão subir de R$ 300 para R$ 10 mil ao longo de uma década, devido aos juros acumulados. A situação reforça a relação entre custo do crédito e inadimplência.
Desenrola 2 em gestação
O governo prepara o Desenrola 2, programa de renegociação de dívidas para reduzir a inadimplência. Economistas avaliam que o impacto pode ser temporário se não houver ajuste estrutural, especialmente redução de juros.
A primeira edição do programa ajudou bancos a reduzir o saldo de inadimplentes, mas o efeito não foi duradouro. Analistas apontam que o problema central continua: juros elevados mantêm o endividamento elevado.
Perspectivas de crédito e inflação
Dados do Banco Central indicam desaceleração no ritmo de concessões, com crescimento de 9,1% em janeiro ante 12 meses até janeiro de 2025, abaixo do agregado anterior. O crédito continua concentrado em linhas de maior custo, como rotativo e cheque especial.
A inflação, acelerada pela alta dos combustíveis, preocupa o cenário. O Boletim Focus aponta IPCA acima do teto de 4,5% neste ano, o que pode manter pressão sobre a política cambial e a agenda de juros.
O que se espera de curto prazo
Especialistas veem potencial alívio imediato com renegociações, mas sem solução de longo prazo para a inadimplência. A expectativa é de que a taxa de juros elevada determine o ritmo de recuperação do crédito e o dinamismo da dívida das famílias.
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