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Renda comprometida acima de 70% e juros elevam calotes a nível recorde no Brasil

Alta inadimplência atinge 81,7 milhões, com 539 bilhões em dívidas; Desenrola 2 é lançado, mas especialistas veem efeito efêmero diante de juros elevados

Comprometimento da renda acima de 70% e juros altos levam calote dos brasileiros a nível recorde
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  • Hoje, o Brasil registra recorde de inadimplência, com 81,7 milhões de brasileiros com dívidas em atraso e débitos totalizando R$ 539 bilhões em fevereiro, segundo a Serasa.
  • O choque é entre a macroeconomia favorável e o aperto financeiro individual, explicado pela combinação de juros altos e alto comprometimento da renda.
  • A taxa Selic ficou em quinze por cento ao ano por longos períodos, com queda para 14,75% em de março; o endividamento cresce mesmo com desemprego em queda e renda real em alta.
  • O governo prepara o Desenrola dois, programa de renegociação de dívidas, mas especialistas dizem que o efeito tende a ser efêmero se não houver redução estrutural dos juros.
  • Estudo do setor mostra que o Desenrola 1 reduziu temporariamente a inadimplência entre famílias de baixa renda, mas o problema voltou a crescer meses depois, mantendo o calote em aberto.

O Brasil registra recorde de inadimplência e de dívidas em patamares elevados. Dados indicam 81,7 milhões de inadimplentes e débitos de R$ 539 bilhões em fevereiro, segundo a Serasa Experian. O cenário ocorre mesmo com desemprego em queda e renda real em alta.

Especialistas apontam que juros elevados explicam parte do problema. A Selic ficou 15% ao ano por longos períodos, com recuo para 14,75% em 18 de março. O alto custo do crédito compromete renda já relevante das famílias.

Panorama da inadimplência

A deterioração do endividamento ocorre em meio a uma economia que cresce e gera empregos, mas com gasto financeiro elevado. A Serasa aponta que o comprometimento de renda atinge níveis preocupantes, acima de 29,3% para a média da população.

Quem ganha até dois salários mínimos está mais vulnerável: conforme dados, 78% dos inadimplentes têm renda de até dois salários. O quadro é agravado pelo peso das contas básicas no orçamento.

Motivos centrais

Segundo especialistas, o serviço da dívida — soma de amortização e juros — cresce mais rápido que a renda. O resultado é maior pressão orçamentária e maior propensão à inadimplência, mesmo com melhora no mercado de trabalho.

Relatos de famílias ilustram o efeito. Uma pedagoga, com renda mensal modesta, viu a dívida no cartão subir de R$ 300 para R$ 10 mil ao longo de uma década, devido aos juros acumulados. A situação reforça a relação entre custo do crédito e inadimplência.

Desenrola 2 em gestação

O governo prepara o Desenrola 2, programa de renegociação de dívidas para reduzir a inadimplência. Economistas avaliam que o impacto pode ser temporário se não houver ajuste estrutural, especialmente redução de juros.

A primeira edição do programa ajudou bancos a reduzir o saldo de inadimplentes, mas o efeito não foi duradouro. Analistas apontam que o problema central continua: juros elevados mantêm o endividamento elevado.

Perspectivas de crédito e inflação

Dados do Banco Central indicam desaceleração no ritmo de concessões, com crescimento de 9,1% em janeiro ante 12 meses até janeiro de 2025, abaixo do agregado anterior. O crédito continua concentrado em linhas de maior custo, como rotativo e cheque especial.

A inflação, acelerada pela alta dos combustíveis, preocupa o cenário. O Boletim Focus aponta IPCA acima do teto de 4,5% neste ano, o que pode manter pressão sobre a política cambial e a agenda de juros.

O que se espera de curto prazo

Especialistas veem potencial alívio imediato com renegociações, mas sem solução de longo prazo para a inadimplência. A expectativa é de que a taxa de juros elevada determine o ritmo de recuperação do crédito e o dinamismo da dívida das famílias.

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