- Gaesa é uma holding vinculada às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR) que atua como “economia por fora” e, segundo documentos vazados, gerencia bilhões de dólares, com cerca de quarenta por cento do PIB estimado em jogo para o país.
- Em 2024, ativos da Gaesa somavam pelo menos US$ 17,9 bilhões, incluindo mais de US$ 14,4 bilhões em contas bancárias; o CIMEX não está incluído nesses números.
- A empresa opera em segredo: não tem website, balanços públicos ou divulgação orçamentária, e não é auditada pela Assembleia Nacional nem pelo governo cubano.
- A estrutura de comando é mantida por um grupo de elite próximo à família Raúl Castro, com nomes como Ania Guillermina Lastres na presidência, e antigos chefes ligados à família, incluindo o ex-genro Luís Alberto Rodríguez López-Calleja (falecido em 2022).
- Principais setores geridos pela Gaesa incluem turismo, remessas, comércio exterior, logística, bancos e missões médicas; críticos apontam que esse peso distorce investimentos em agricultura, energia e infraestrutura, agravando a crise econômica de Cuba.
O conglomerado Gaesa, vinculado às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, opera secretamente como uma grande holding que domina setores que geram dólares no país. Em meio à crise econômica, a riqueza estimada da Gaesa chega a bilhões de dólares, segundo documentos vazados.
A holding não tem website, nem contatos institucionais, nem balanços públicos. Não consta no orçamento estatal e não é auditada pela Assembleia Nacional ou pela Controladoria Geral da República, o que dificulta o escrutínio sobre o destino dos recursos.
Relatórios vazados apontam que a Gaesa possuía ativos de pelo menos 17,9 bilhões de dólares em 2024, com mais de 14,4 bilhões em contas bancárias. O montante não inclui a Cimex, considerada a maior empresa dentro do guarda-chuva militar.
Especialistas estimam que a Gaesa tenha participação relevante em turismo, remessas, comércio exterior, telecomunicações e logística. A soma dessas operações estaria longe de refletir o quadro econômico do restante da economia cubana.
O que se sabe é que o grupo atua em áreas-chave que geram receitas expressivas em dólares, enquanto setores de demanda interna, como agricultura e indústria, ficam com menor investimento público, contribuindo para a crise estrutural que o país enfrenta.
Entre as empresas que integram o conglomerado estão operadoras turísticas, redes hoteleiras, empresas de transporte e o controle de instituições financeiras que lidam com transações internacionais. A estrutura interna permanece obscura e difícil de rastrear, com ativos distribuídos por redes societárias complexas.
O exército também controla a gestão de recursos que, na prática, funcionam como reservas paralelas, supostamente sob o guarda-chuva da Gaesa. A destinação desses fundos permanece incerta e não sujeita a auditorias públicas.
Quem comanda a Gaesa não é publicamente conhecido em detalhes. A presidência passou de um alto oficial próximo a Raúl Castro para a atual executiva Ania Guillermina Lastres, cuja função é principalmente operacional e não de decisão sobre os recursos.
O núcleo duro da liderança não é divulgado, e pessoas próximas da família Castro aparecem associadas ao controle, incluindo ex-aliados próximos do veterano Raúl Castro. A relação entre o poder político e o controle econômico permanece central na leitura sobre a Gaesa.
Núcleos de investigação indicam que o poder econômico da Gaesa está concentrado em menos de duas dezenas de pessoas, com redes de assessores e supervisão contábil para evitar rastreamento claro do dinheiro. A estrutura é descrita como um conjunto de entidades de testa de ferro.
A economia de Cuba permanece fragilizada, com queda de cerca de 15% do PIB nos últimos cinco anos e severa escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos. A crise energética, agravada por sanções e rupturas em fornecimentos, intensifica o desafio governamental.
Especialistas apontam que a Gaesa teria sólidos recursos que poderiam sustentar reformas econômicas, incluindo agricultura, geração de eletricidade e indústria, caso o regime decida por uma transição. A possibilidade de realocação de ativos é tema de debate entre analistas.
O jornalismo internacional destaca que o papel da Gaesa contrasta com a pobreza concreta vivida pela população, especialmente nas ruas de Havana, onde obras de infraestrutura não acompanham o nível de desenvolvimento dos empreendimentos vinculados ao conglomerado.
A BBC News Mundo apurou que a Gaesa mantém ativos significativos fora de Cuba, inclusive em paraísos fiscais, o que dificulta a fiscalização externa e o entendimento sobre a origem e o destino dos recursos. Até o momento, não há confirmação oficial sobre esse fluxo.
A reportagem indica que, se houver mudança de regime, uma das primeiras medidas seria esclarecer a localização e o uso dos recursos da Gaesa, considerados estratégicos para a estabilização econômica futura. A natureza privada dos ativos complica qualquer previsão.
Em síntese, a Gaesa representa um poder financeiro robusto, separado do aparato estatal, com atuação em setores que geram divisas. Sua influência na economia cubana levanta questões sobre transparência, responsabilidade e impactos sobre a vida cotidiana da população.
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