- A escassez global de chips de memória pode se manter até 2028, com possível extensão até 2030, devido ao boom da inteligência artificial.
- Fabricantes têm priorizado memórias de alta largura de banda para data centers, enquanto a produção de memórias para consumo é reduzida.
- A expansão da produção de DRAM pode ficar aquém da demanda: 60% da demanda global seria atendida pelo trio Samsung, SK Hynix e Micron; o ritmo atual de ampliação é de 7,5% versus necessidade estimada de 12% ao ano até 2027.
- Preços da memória subiram cerca de noventa por cento entre janeiro e março de 2026; a memória representa hoje cerca de vinte por cento do custo de um celular de entrada, com previsão de chegar a quase quarenta por cento até a metade deste ano.
- Os impactos são feltos globalmente e no Brasil: smartphones mais caros, notebooks mais caros e retração de vendas; a Micron saiu do mercado da marca Crucial e o PlayStation 6 pode sofrer atraso para 2028.
O texto aponta que a escassez global de chips de memória pode se prolongar. Segundo o Nikkei Asia, não há previsão de alívio até 2028, com possibilidade de 2030. O motivo é o impulso da IA. Fabricantes priorizaram componentes para data centers.
Desde o fim de 2025 a produção voltou-se para memórias de alta largura de banda, usadas em IA, reduzindo a oferta de chips para consumo. Esse redirecionamento elevou os custos para dispositivos comuns.
Entre janeiro e março de 2026, os preços da memória subiram cerca de 90% frente ao trimestre anterior, segundo fontes do setor. A realidade sofre impacto direto no bolso do consumidor.
Panorama de oferta e demanda
Líderes do setor focaram em memórias HBM para IA e reduziram a expansão de DRAM. Samsung, SK Hynix e Micron controlam cerca de 90% do DRAM global e dominam a produção de HBM. O ritmo atual pode atender apenas 60% da demanda até 2027.
A Counterpoint Research estima necessidade de crescimento anual de 12% na produção para normalizar, mas planos atuais apontam expansão de 7,5%. O analista MS Hwang indica que alívio só em 2028.
Consequências globais
Os custos de fabricação de eletrônicos devem subir. A IDC prevê queda de 13% nas vendas globais de smartphones em 2026, com margens menores para as fabricantes. A memória representa hoje cerca de 20% do custo de um celular, podendo chegar a 40%.
No Brasil, o segmento sofre com a alta prevista. Gustavo Assunção, vice-presidente da Samsung no país, informou que itens eletrônicos podem ficar até 20% mais caros neste ano. Notebooks de Dell e Lenovo também devem encarecer globalmente.
Ações corporativas e impactos setoriais
A crise levou a Micron a retirar do mercado a marca Crucial, após quase 30 anos. A Kioxia condiciona novos investimentos ao crescimento efetivo do setor. O setor também avalia impactos em consoles, como o PlayStation 6, com possível atraso para 2028.
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