- Rally de mercados após a trégua entre EUA e Irã, com índices perto de máximos e resultados corporativos sólidos.
- Volatilidade alta; se o petróleo se estabilizar por três meses, a inflação global pode subir 0,5 ponto percentual e o crescimento cair 0,5 ponto; na Eurozona, há choque de oferta devido à dependência de petróleo.
- Fed e BCE devem manter juros ou não subir, com possibilidade de queda ainda neste ano, mantendo liquidez no mercado.
- Mercado é de especialistas: cautela com exposição a variações de juros; dívida de governos de economias desenvolvidas, rentabilidade a vencimento em torno de 2,3%; dívida de grau de investimento perto de 3,5% e alta rentabilidade acima de 5,6%; emergentes com cupons acima de 8%.
- Em renda variável, visão neutra globalmente, com sobreposição em tecnologia; IA favorece demanda por hardware e semicondutores; energia, infraestrutura e saúde defensiva ganham espaço, impulsionados pela IA.
- Mudança de paradigma financeiro: 60/40 vira 40/40/20, com 20% em estratégias de retorno absoluto e investimentos alternativos; alocação dinâmica para proteger o portfólio sem perder rentabilidade.
O mercado vive um rali após o cessar-fogo entre EUA e Irã, com índices próximos de máximos. A tranquilidade é bem-vinda, e o ciclo de resultados das empresas continua sólido, apesar da ainda elevada volatilidade.
Se o petróleo se mantiver estável por três meses, a inflação global pode subir 0,5 ponto porcentual e o crescimento cair 0,5 p.p., segundo analistas. Na zona do euro, há choque de oferta, mas a região depende menos do petróleo que os EUA.
A estabilidade depende da continuidade do acordo de pausa entre as potências. Em cenário de prolongamento da volatilidade, o impacto inflacionário na zona do euro pode chegar perto de 3%, sem gerar maior alarme, segundo especialistas.
Visão de curto prazo
Mesmo com ruído, não se espera alta adicional de juros por parte da Federal Reserve e do BCE, que priorizam o crescimento. A expectativa é de que a Fed reduza taxas ao menos uma vez neste ano, mantendo liquidez no sistema.
O mercado de títulos longos não funciona como refúgio: ações e obrigações caíram juntas ante temores inflacionários. O momento demanda atuação ativa, com redução de sensibilidade a juros e uso de coberturas, descrevem especialistas.
Cenário de renda fixa e ações
A exposição a variações de juros permanece moderada, especialmente em dívida soberana de economias desenvolvidas, com rendimento até vencimento em torno de 2,3%. Empresas apresentam balanços sólidos, abrindo oportunidades em dívida de grau de investimento, com rendimentos até 3,5%, e títulos de maior risco com mais de 5%.
Mercados emergentes destacam-se pela dívida corporativa com cupons acima de 8% e balanços reforçados, oferecendo opções para os próximos três anos. A previsão aponta para maior crescimento frente a economias desenvolvidas, sem ruptura significativa na inflação.
Renda variável e setores
Na bolsa, a visão é neutra globalmente, com superávit em setores de tecnologia. Correções do Nasdaq deixaram ações a cerca de 23 vezes lucros esperados, ainda animando o potencial de inovação em IA, dados e infraestrutura digital.
Energia e infraestrutura também chamam atenção, com empresas elétricas beneficiadas pela demanda estável e pela transição para energia mais limpa, reforçando a independência energética. No setor de saúde, a biotecnologia é favorecida pela inovação tecnológica.
Nova alocação estratégica
O portfólio passa de um modelo 60/40 (renda fixa/renda variável) para 40/40/20, incluindo estratégias de retorno absoluto e investimentos alternativos, como infraestrutura. A ideia é combinar liquidez com proteção de risco e melhoria de retorno ao longo do ciclo.
Gonzalo Rengifo, diretor-geral da Pictet AM em Iberia e Latam, contribui com as perspectivas apresentadas. As informações refletem a visão de gestão de ativos e estratégias para o cenário atual.
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