- Em Paraupebas, mulheres criam negócios de bioeconomia com mel, cerâmica e biojoias, fortalecendo autonomia financeira e valorização da região.
- A Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA), existente há cerca de dez anos, atua com mel de apicultura e meliponicultura, reunindo 23 famílias sob liderança feminina.
- Dados do Sebrae indicam que, em dois mil e vinte e cinco, quatro em cada dez novos microempreendimentos no Brasil foram criados por mulheres; no Pará, 37,6% das pequenas empresas foram lideradas por mulheres.
- Grupos como a Associação Preciosidades da Amazônia recebem apoio de prefeitura, Vale, Sebrae e UFRA para produzir biojoias de sementes, fortalecendo a economia local e a identidade regional.
- O grupo Mulheres de Barro, em Parauapebas, desenvolve cerâmica inspirada em vestígios arqueológicos da região, usando sobras de argila de construções para sustentabilidade e repasse de conhecimento.
Em Parauapebas, no sudeste do Pará, mulheres empreendem na bioeconomia com foco na transformação de sementes, cerâmica e mel. Projetos liderados por elas articulam autonomia financeira, respeito à tradição local e preservação de áreas de floresta, perto da Floresta Nacional de Carajás e da maior mina de ferro a céu aberto do mundo.
A Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA) reúne 23 famílias e atua tanto com mel de apicultura quanto com meliponicultura, criando abelhas sem ferrão resgatadas de áreas de supressão. A iniciativa incentiva a preservação ambiental e a geração de renda para mulheres que, segundo suas próprias palavras, saíram da cozinha para empreender.
AFMA: liderança feminina e mudanças de vida
Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras, relata que muitas associadas retornaram aos estudos, inclusive aos 50 anos. Hoje, elas administram finanças, rotulam produtos e definem preços, com participação igualitária entre mulheres e homens nas atividades de campo. O papel das mulheres se evidencia na gestão, enquanto os homens atuam nos apiários.
Preços, inovação e apoio institucional
Dados do Sebrae indicam que, em 2025, quatro em cada dez pequenos negócios abertos no Brasil tiveram mulheres à frente. No Pará, 37,6% das novas empresas foram lideradas por mulheres. No setor de bioeconomia, esse movimento é celebrado como transformação social e econômica, com apoio de Vale, Sebrae e universidades regionais.
Preciosidades da Amazônia: arte que traduz a floresta
A Associação Preciosidades da Amazônia tem 12 mulheres associadas que produzem biojoias a partir de sementes e minerais locais. O grupo recebe apoio público e privado e atua como mentoria para novas empreendedoras, fortalecendo a economia da região por meio de materiais naturais, artesanato e histórias regionais.
Mulheres de Barro: memória e cerâmica sustentável
O Centro Mulheres de Barro nasceu após oficinas de educação patrimonial ligadas a projetos arqueológicos na região. O grupo, formado por 18 mulheres e quatro homens, utiliza sobras de argila de construções locais para produzir cerâmica, evitando extração direta da natureza. As peças refletem vestígios históricos da Serra dos Carajás.
Bioeconomia e desafios
Especialistas do Sebrae apontam que a bioeconomia na Amazônia tem potencial econômico significativo, movendo bilhões de reais e fortalecendo cadeias produtivas ligadas à floresta. Contudo, as mulheres empreendedoras enfrentam desafios como acesso a crédito, gestão financeira e sobrecarga de tarefas domésticas, que impactam a expansão dos negócios.
Investimentos e futuro
O Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) aponta para o fortalecimento de projetos de sociobioeconomia e ativos ambientais. O Fundo Vale tem sido decisivo ao apoiar iniciativas voltadas à conservação da floresta e ao desenvolvimento territorial, com investimentos que já ultrapassaram centenas de milhões de reais.
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