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O bilionário império empresarial da elite secreta de Cuba

Gaesa, holding ligada às Forças Armadas, acumula bilhões e domina parcela relevante do PIB cubano, enquanto a população enfrenta pobreza e apagões

Especialistas indicam o ex-presidente cubano Raúl Castro e seu entorno como proprietários e operadores da holding multimilionária Gaesa — Foto: Getty Images via BBC
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  • Gaesa é uma holding ligada às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba que atua de forma sigilosa, sem balanços públicos ou auditorias oficiais, e não é listada no orçamento do Estado.
  • Em março de 2024, possuía ativos de pelo menos US$ 17,894 bilhões, incluindo US$ 14,467 bilhões em contas no exterior.
  • Em agosto de 2024, registrou lucro de mais de US$ 2,1 bilhões sobre receita de US$ 5,563 bilhões, com margem aproximada de 38%.
  • A empresa controla ativos e operações lucrativas de setores como turismo, remessas, comércio exterior, telecomunicações, bancos e o Porto de Mariel, com a Cimex figurando entre as maiores empresas do grupo.
  • Especialistas estimam que a Gaesa possa representar cerca de 40% do PIB cubano, com reservas possivelmente diversificadas em bancos internacionais e paraísos fiscais; o contexto político-econômico inclui sanções dos EUA que agravam a crise no país.

O conglomerado Gaesa, ligado às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, administra bilhões de dólares em ativos e domina setores que geram divisas, como turismo, remessas e operações no exterior. Documentos vazados e reportagens internacionais indicam que a empresa opera à margem do controle estatal, sem balanços públicos ou auditorias oficiais.

Enquanto a economia cubana enfrenta escassez, apagões e queda do PIB, a Gaesa mantém patrimônio estimado em dezenas de bilhões de dólares. Em 2024, fontes indicaram ativos acima de US$ 17,9 bilhões, com mais de US$ 14,4 bilhões em contas no exterior. Dados não verificados de forma independente.

A estrutura da Gaesa é alvo de controvérsia: a empresa não possui website público, endereço institucional conhecido ou canais oficiais de contato. Sua atuação envolve setores estratégicos, como turismo, comércio exterior, remessas e serviços médicos no exterior. Não há balanços publicados ao público.

Origem e funcionamento

A Gaesa nasceu na década de 1990, dentro das FAR, para gerenciar negócios que exigiam dólares. O objetivo inicial era financiar as Forças Armadas com recursos próprios, via turismo e comércio exterior.

Com o tempo, a holding expandiu e incorporou empresas estatais relevantes, incluindo a Cimex. Passou a controlar redes de negócios sob o guarda-chuva militar, com atuação em paraísos fiscais e operações internacionais.

Através de estruturas complexas, a Gaesa assumiu operações de bancos, portos e redes de transporte. A imprensa cubana não divulga seus balanços, e economistas destacam o sigilo como prática comum da organização.

Ania Guillermina Lastres é apontada como presidente operacional da Gaesa, sem evidência pública de um organograma completo. Analistas ressaltam que o núcleo decisório permanece fora do alcance de observadores independentes.

Historicamente, surgiram dúvidas sobre a independência da posição de liderança diante de familiares ligados ao círculo de Raúl Castro, o que alimenta especulações sobre o controle real de ativos.

Onde está o dinheiro e como é aplicado

Documentos do Miami Herald, com 22 balanços internos, indicam ativos de pelo menos US$ 17,9 bilhões em março de 2024, com US$ 14,5 bilhões líquidos em contas no exterior. O montante não inclui a Cimex, maior empresa do grupo.

A rentabilidade foi alta: em agosto de 2024, lucros de cerca de US$ 2,1 bilhões sobre receita de US$ 5,56 bilhões, gerando margem de lucro aproximada de 38%. Margens assim não são comuns em grandes corporações globais.

Especialistas apontam que a Gaesa atua em setores com menor concorrência, como turismo e serviços de remessas, além de se beneficiar de taxas de câmbio distintas. Parte das receitas é recebida em dólares, com salários pagos em pesos cubanos.

Reservas e investimentos parecem diversificados, incluindo bancos e operações no exterior. Não há confirmação pública sobre o destino exato dos recursos ou sua alocação dentro do conjunto de ativos da holding.

Apenas os relatórios de 2024 são publicamente conhecidos, o que dificulta a avaliação de valores atuais. Analistas indicam que, em caso de mudança política, a gestão de ativos da Gaesa seria prioridade de estabilização.

Impacto na economia cubana

A influência da Gaesa na economia de Cuba é considerada significativa, com estimativas que apontam participação próxima de 40% do PIB. Essa concentração de ativos em setores de alta lucratividade contrasta com a deterioração de infraestrutura e produção interna.

A aposta no turismo, especialmente em Havana, coincidiu com um menor fluxo de visitantes nos últimos anos, agravando a escassez em outros setores produtivos. Críticas apontam para desiquilíbrios entre geração de divisas e investimentos em agricultura e energia.

As missões médicas internacionais também aparecem entre as fontes de receita, segundo especialistas. Parte dos montantes movimentados pela Gaesa seria canalizada para o conglomerado, fortalecendo o poder econômico da organização.

Especialistas ressaltam que uma transição política poderia exigir a localização e o uso de recursos da Gaesa para estabilização econômica. O debate continua sem consenso sobre o destino desses ativos.

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