- Dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos mostram melhoria em Portugal em indicadores como pobreza e desigualdade, mas cerca de 1,7 milhão de pessoas ainda vivem abaixo do limiar de pobreza.
- Na Europa, o risco de pobreza e exclusão atinge milhões, com inflação, custos de habitação e energia e precarização do trabalho afetando o poder de compra, incluindo em Alemanha e outros países centrais.
- Em Portugal, a redução da pobreza é atribuída à valorização do salário mínimo e a projetos sociais para idosos, mas a pobreza infantil continua alta entre famílias monoparentais, migrantes e refugiados.
- O economista Gabriel Palma afirma que reformas neoliberais desde os anos oitenta criaram uma armadilha de baixo crescimento e uma “trilogia tóxica” de desigualdade, baixo investimento e produtividade estagnada.
- A saída passa por uma agenda pós-ricardiana: mais intervenção do Estado, condicionantes ao capital, estímulo à inovação e regulação da habitação; há ainda discussão sobre um acordo de livre-comércio entre Europa e Mercosul como possível caminho.
O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos aponta que, em Portugal, indicadores de pobreza apresentaram melhora moderada, com queda nas taxas de pobreza e na desigualdade. Mesmo assim, cerca de 1,7 milhão de pessoas continuam abaixo do limiar da pobreza, mostrando um paradoxo que se repete na Europa. O território enfrenta inflação persistente, energia cara e queda de poder de compra.
A pesquisa revela que o problema não se restringe a Portugal. Em vários países europeus, o risco de pobreza e exclusão social atinge milhões de pessoas, especialmente por inflação, custos com habitação e energia, e precarização do trabalho. O fenômeno inclui tanto economias centrais quanto periféricas.
Portugal aponta que fatores estruturais ajudam a explicar o cenário. A valorização de salários, sobretudo do mínimo, e ações sociais para idosos reduziram a pobreza nessa dimensão. Ainda assim, a pobreza infantil permanece elevada, atingindo famílias monoparentais, migrantes e outras comunidades vulneráveis.
Contexto europeu
A desigualdade se estende pela UE, com países como Romênia, Bulgária, Grécia, Espanha e Itália entre os mais afetados. Mesmo economias fortes enfrentam quedas no rendimento disponível, elevando o que se chama de “trabalho pobre”, prática observada em Portugal e na Alemanha. O efeito é a limitação da mobilidade social.
Causas estruturais
O economista Gabriel Palma sustenta que reformas neoliberais iniciadas na década de 1980 criaram uma armadilha de baixo crescimento. O que descreve como trilogia tóxica envolve alta desigualdade, baixo investimento produtivo e estagnação da produtividade, com concentração de renda que não gera inovação suficiente.
Caminhos para a recuperação
Especialistas defendem agenda pós-Ricardo: redirecionar renda via ação estatal, impor condições ao capital e incentivar processamento local e inovação. Mesmo com acordos comerciais, como o entre Europa e Mercosul, a eficácia depende de políticas coordenadas de longo prazo. Portugal serve de alerta para a região.
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