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Pouca adoção da gestão de risco em empresas, aponta pesquisa

Deloitte revela que 58% não realizam testes de crise; gestão de risco permanece pouco madura, com lacunas de governança entre áreas

Pesquisa da Deloitte sobre o tema é feita a cada dois anos e está em sua nona edição
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  • 58% das empresas não realizam simulações de crise nem atualizam os instrumentos de gestão de risco.
  • A pesquisa ouviu 221 organizações; a maior parte tem faturamento entre R$ 1 bilhão e R$ 5 bilhões e atua no setor de serviços.
  • 36% têm processos estruturados de capacitação para crises; 58% não fazem simulados; 76% estão em estágios reativos ou iniciais, e apenas 9% estão em nível avançado.
  • Mais de 90% coletam pelo menos um indicador de risco; o setor financeiro é o mais maduro (84%), enquanto o marketing fica em voltas de quatro em cada dez empresas.
  • Falta de estrutura dedicada e divergência entre departamentos apontam para necessidade de governança mais sólida e liderança clara em gestão de riscos.

A gestão de risco ainda é pouco difundida entre as empresas, aponta a nona edição de estudo da Deloitte. A pesquisa revela que, embora haja esforço para criar indicadores, muitos itens não são monitorados nem atualizados com frequência para sustentar decisões.

Segundo Alex Borges, coordenador do estudo e sócio de Enterprise Risk na Deloitte, há necessidade de alinhamento entre governança e planos de gestão de risco. O objetivo é acompanhar de forma mais assertiva riscos operacionais, financeiros, geopolíticos e sociais.

O levantamento, realizado com apoio do IBGC, ouviu 221 organizações. A maior parte tem faturamento entre 1 bilhão e 5 bilhões de reais e atua no setor de serviços. Executivos de gestão foram os respondentes predominantes.

O que a pesquisa aponta como prática atual

A pesquisa indica que 36% das empresas possuem processos estruturados de capacitação para crises, mas 58% não realizam simulações ou atualizam instrumentos. Em termos de modelagem de risco, 76% estão em estágios reativos ou iniciais, enquanto apenas 9% atingem níveis avançados.

Borges destaca que persistem obstáculos culturais e de priorização. Riscos financeiros, regulatórios e cibernéticos aparecem entre os principais para 2026. A coleta de indicadores ocorre em mais de 90% das organizações, mas há assimetrias entre departamentos.

Mais de 40% das empresas consultadas não possuem prática consolidada de governança entre áreas. O setor financeiro lidera na coleta de indicadores, enquanto o marketing fica na outra ponta, com menor maturidade.

Observações sobre estruturas e liderança

Cerca de um terço das organizações não dispõe de uma estrutura dedicada à gestão de crises. Entre as que contam com setor específico, não há consenso sobre quem lidera: 32% citam gestão de riscos, 17% compliance e 12% comunicação.

Borges aponta que crises são vistas, ainda, como atribuição técnica e reativa. Ele afirma que a gestão de crises precisa estar integrada à liderança estratégica, para reduzir ambiguidade de responsabilidades em momentos críticos.

A pesquisa também aponta que mais de 60% das empresas já implementam Gestão de Continuidade de Negócios, com 32% realizando atualizações regulares, o que demonstra preocupação com a continuidade das atividades mesmo sem um plano de crise completo.

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