- Analistas projetam alta para soja e milho na Bolsa de Chicago nos próximos meses, com o veredito dependente de eventuais consequências do El Niño.
- O NOAA aponta 61% de chance de El Niño entre maio e julho, o que pode trazer mais chuvas ao sul do Brasil e menos no centro-oeste, influenciando preços.
- Nos EUA, a regularidade das chuvas até junho é essencial para a safra de verão; atrasos elevam custos e riscos de produtividade.
- No Brasil, a safrinha de milho tem previsão de chuvas nos próximos 30 dias, mas excesso pode atrasar o plantio; riscos climáticos se somam a juros altos e dívidas agrícolas.
- A guerra no Oriente Médio aumenta custos da lavoura; ainda, a demanda segue firme, com a soja esmagada nos EUA em março em 6,15 milhões de toneladas, menos que o esperado (6,2 milhões).
O clima e a demanda devem pesar no preço do agro no Brasil e nos EUA. Analistas veem soja e milho em trajetória de alta na Bolsa de Chicago nos próximos meses, sobretudo se o El Niño forte se confirmar. O cenário depende das chuvas e de eventos climáticos.
Segundo NOAA, há 61% de probabilidade de formação de El Niño entre maio e julho. No Brasil, isso tende a trazer mais chuvas ao Sul e reduzir a umidade no Centro-Oeste, o que pode aumentar a incerteza de Chicago e influenciar as cotações dos grãos.
Para a soja de verão, plantada no segundo semestre, a regularidade das chuvas manterá ou não as projeções recordes. No milho safrinha em campo, mapas apontam chuvas bem distribuídas nos próximos 30 dias, favorecendo a umidade do solo, mas excessos podem atrasar o trabalho de campo.
Riscos climáticos, somados aos impactos da guerra no Oriente Médio, elevam custos da lavoura brasileira. Produtores enfrentam dívidas, crédito restrito e juros altos, o que reduz a margem de manejo em meio a variações de preço.
Analista da StoneX, Raphael Bulascoschi, aponta que, se El Niño persistir até o fim do ano, o ciclo de verão pode sofrer prejuízos, mesmo em cenário de supersafra. A chuva no Rio Grande do Sul é vista como fator decisivo para a trajetória positiva.
No Norte brasileiro, a estiagem pode desorganizar calendários de colheita, como no caso da safra 2026/27, segundo Bulascoschi. A precariedade climática eleva a cautela para planejar plantio e investimento em insumos.
Nos EUA, a atenção recai sobre o início dos plantios de soja e milho, com custos mais elevados e parte dos produtores ainda sem comprar insumos. Atrasos no plantio, somados ao custo alto, elevam os riscos de produtividade e área cultivada.
Bulascoschi destaca a necessidade de incorporar novas previsões climáticas à balança de riscos, já que mudanças no tempo podem alterar a precificação dos grãos. A volatilidade segue como fator central no curto prazo.
Na Bolsa de Chicago, o preço do milho depende do ritmo de exportações brasileiras a partir de julho. Também há debate no Congresso americano sobre manter o E15 durante o ano todo, o que pode puxar o consumo de etanol e pressionar a demanda por milho.
O mercado monitora, ainda, o relatório mensal da NOPA, que indicou esmagamento de soja de 6,15 milhões de toneladas em março, acima da projeção de 6,2 milhões. Mesmo assim, o resultado demonstra demanda interna robusta.
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