- No fim de 2025, o Golfo era visto como o ano-chave para o mercado de arte, com a Abu Dhabi Collectors’ Week gerando US$ 133 milhões, a inauguração da Art Basel Qatar em fevereiro e a Frieze Abu Dhabi programada para novembro.
- Após semanas de tensão, EUA e Israel atacaram o Irã; o Irã respondeu atingindo Emirados Árabes, Qatar, Bahrein e Arábia Saudita, elevando a incerteza sobre a região como centro de negócios de luxo.
- Art Dubai, principal feira da região, adiou a edição de abril para maio, reduzindo de mais de 120 galerias em 2025 para 50 neste ano, com cerca de 75 expositores retirados.
- O setor de luxo também enfrenta desaceleração, com a LVMH reportando queda de 6% na receita no primeiro trimestre e a Kering registrando queda de 11% no último trimestre, instaurando uma unidade de crise para a região.
- Analistas estimam que as vendas de luxo no Golfo possam cair até 50% neste ano, o que pode impactar o mercado de arte, além de custos de envio e seguro de obras aumentarem devido ao conflito.
O conflito entre EUA, Israel e Irã afeta o mercado de arte no Golfo, justamente quando o setor se preparava para um ano de lançamentos. Ações militares recentes derrubam a confiança e elevam riscos logísticos e de seguro para obras na região.
No fim de 2025, as expectativas eram altas: Abu Dhabi Collectors’ Week reuniu $133 milhões; Art Basel Qatar estreou; Frieze Abu Dhabi estava prevista para se tornar parte de um ciclo de grandes feiras. O cenário mudou com a escalada de tensões.
A guerra desencadeou reações no Golfo: o Irã atacou Emirados Árabes, Catar, Bahrein e Arábia Saudita, enquanto EUA e aliados buscam cessar-fogo. A reputação da região como hub de negócios de alto padrão ficou sob questionamento.
Impacto no mercado de arte do Golfo
Art Dubai, tradicional referência regional, adiou sua 20ª edição de abril para maio e reduziu a lista de expositores de mais de 120 para 50. O programa ocorrerá entre 15 e 17 de maio, em Madinat Jumeirah. A mudança ocorreu após a retirada de cerca de 75 galerias.
Frieze ainda não se posicionou sobre a edição em Abu Dhabi, mas sinais de tensão no Golfo aparecem também no setor de luxo, que vinha alimentando o crescimento da região. Compra de bens de alto valor tem diminuído na Europa e na Ásia.
Dados de mercado indicam impactos nos resultados de grandes grupos de luxo. Segundo a New York Times, a LVMH registrou queda de 6% nas receitas no primeiro trimestre, para €19,1 bilhões, com recuo destacado no segmento de Moda e Mobiliário. O quadro é confirmado por apresentações da empresa.
O grupo Kering, controlador de Gucci, Bottega Veneta e Yves Saint Laurent, reportou queda de 11% na receita no último trimestre e criou uma unidade de crise para o negócio no Oriente Médio. Executivos apontaram menor fluxo de turistas como parte do desafio.
Autores de referência destacam o papel de grandes nomes de colecionismo. Bernard Arnault, dono da LVMH, e François Pinault, controlador da Kering, figuram entre os principais colecionistas globais. Eles estão ligados a instituições e marcas presentes no Golfo.
Analistas da Bernstein estimam queda de até 50% nas vendas de luxo no Golfo em 2026, com impactos indiretos sobre o art market. Embora não haja menção direta à arte, o comportamento do mercado de luxo costuma acompanhar o setor artístico.
A guerra também elevou custos de transporte e seguro de obras. Pesquisadores relatam pressões sobre frete aéreo internacional, com elevações significativas nos primeiros dias de conflito. Isso amplia a complexidade logística de feiras e exposições.
Em janeiro, especialistas apontavam o Golfo como a região mais otimista para 2026, com risco considerado baixo. A atual situação pode exigir revisão de projeções, influenciando decisões de curadores, galerias e colecionadores.
Entre na conversa da comunidade